Últimas

Soja brasileira se aproxima de R$140 a saca, melhor cotação do ano

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Soja brasileira se aproxima de R$140 a saca, melhor cotação do ano

O mercado global de soja registrou forte movimentação essa semana com reflexos diretos no Porto de Paranaguá (PR). A saca de 60 quilos do grão brasileiro atingiu a melhor cotação do ano: R$139,71 registrados nesta terça-feira (07).

O tripé de formação do preço brasileiro

O preço final da soja no Brasil é sustentado por três fundamentos: a cotação na Bolsa de Chicago, o prêmio nos portos e o comportamento do dólar.  Quando a moeda norte-americana ganha força frente ao real a soja brasileira se torna mais barata, mais competitiva, para compradores estrangeiros.

Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, explica que enquanto em outros complexos portuários do país os preços variam de acordo com o fluxo logístico o Porto de Paranaguá atua como a principal referência nacional para os prêmios.  “Mesmo com o dólar trabalhando na faixa de R$ 5,15 tivemos a redução do prêmio porque a alta da soja n Bolsa de Chicago acabou fazendo esse papel de compensação”, analisa Yedda Monteiro.

Clima é fator principal para formação dos preços internacionais

A previsão do tempo para o cinturão agrícola norte-americano impulsionou a arrancada nos preços internacionais esta semana. Os centros de meteorologia preveem uma onda de calor intenso, e de seca, para os próximos 14 dias.

“Os meses entre junho e agosto são conhecidos como o ‘mercado de clima’ norte-americano. É o período mais sensível para a definição da produtividade das lavouras de soja e milho e o mercado já precifica esse impacto.”, reforça Yedda.

O relatório da consultoria Stone X com as estimativas para o terceiro trimestre destaca que, seguindo o modelo de anos anteriores, o El Niño tende a aumentar o índice de chuva e reduzir o período de seca no verão norte-americano, Isso poderia favorecer a produtividade. Porém a intensidade do fenômeno tem gerado as incertezas.

Segundo Ana Luiza Lodi, especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, embora o balanço global de oferta de soja seja confortável a definição da produtividade nos Estados Unidos será o principal fator de formação de preços.

 A disputa pela demanda chinesa: Brasil x EUA

A China, maior compradora mundial de soja, começou a adquirir o grão dos EUA dentro do compromisso de 25 milhões de toneladas ao ano. Essa semana a estatal chinesa Cofco comprou, a preço de balcão, 300 mil toneladas para serem embarcadas entre setembro e novembro. Alguns analistas avaliam que a incerteza em relação ao clima e a produtividade influenciou a decisão. Normalmente, os preços do grão tendem a cair com o avanço da colheita norte-americana.

Embora os EUA ganhem terreno com o avanço da safra e os acordos bilaterais, o Brasil segue competitivo no cenário internacional devido ao volume disponível na safra recorde.

“A perspectiva é de que o Brasil continue participando das compras chinesas no segundo semestre. Será uma soja um pouco mais cara no segundo semestre? Sim! No entanto, a gente precisa lembrar que tivemos uma safra recorde”, reforça Yedda Monteiro.
Se por um lado a consolidação das compras nos EUA pode pressionar os prêmios da soja brasileira para baixo nos portos, por outro, problemas climáticos que reduzam a produtividade norte-americana tendem a dar suporte duradouro para as cotações em Chicago.