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Lucro do confinamento segue acima de R$ 1 mil apesar da queda da arroba

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Lucro do confinamento segue acima de R$ 1 mil apesar da queda da arroba

O confinamento de bovinos manteve a rentabilidade acima de R$ 1 mil por cabeça em junho, mesmo diante da queda nas cotações da arroba do boi gordo. Levantamento do ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta) mostra que a redução dos custos de produção, principalmente com alimentação, passou a ser o principal fator de sustentação das margens da atividade.

Os dados apontam que o lucro médio foi de R$ 1.053,25 por cabeça no Centro-Oeste, alta de 1,56% em relação ao mês anterior, enquanto no Sudeste a margem ficou em R$ 1.007,41 por cabeça, recuo de 10,36%. Ainda assim, ambas as regiões permaneceram acima do patamar de R$ 1 mil por animal terminado.

Segundo o levantamento, o Centro-Oeste voltou a liderar a rentabilidade do confinamento após reduzir em 9,93% o custo da arroba produzida, que encerrou junho em R$ 186,36. No Sudeste, o custo avançou 2,13%, para R$ 199,29 por arroba produzida.

O desempenho ocorreu apesar da retração do mercado do boi gordo. Em junho, a arroba física caiu 5,69% no Centro-Oeste, para R$ 323,50, e 3,35% no Sudeste, para R$ 331,50.

O ICAP também mostrou que o custo alimentar diário permaneceu mais baixo no Sudeste pelo quarto mês consecutivo. O indicador fechou junho em R$ 11,79 por cabeça ao dia, queda de 2,23% e o menor valor registrado neste ano. No Centro-Oeste, o custo ficou em R$ 12,91 por cabeça ao dia, alta de 0,62%.

Apesar de apresentar alimentação diária mais barata, o Sudeste perdeu competitividade em relação ao Centro-Oeste devido ao maior custo da arroba produzida e ao perfil dos animais abatidos. Já no Centro-Oeste, a combinação entre ciclo mais curto de confinamento, menor custo alimentar e maior eficiência produtiva favoreceu o resultado econômico.

A redução dos custos foi impulsionada principalmente pela maior oferta de insumos com o avanço da colheita da segunda safra de milho. No Centro-Oeste, o custo total da dieta de terminação ficou 4,16% abaixo da média do trimestre, com destaque para a queda de 37,13% nos volumosos e de 8,25% nos energéticos. Entre os insumos, o milho em grão ficou 8% abaixo da média trimestral.

No Sudeste, a dieta terminou junho 1,08% abaixo da média do trimestre. A maior redução ocorreu entre os ingredientes proteicos, que recuaram 2,83%, enquanto os energéticos permaneceram próximos da estabilidade. Os volumosos, por outro lado, registraram alta de 15,8%, refletindo mudanças no perfil de alimentação adotado pelos confinamentos.

O levantamento destaca que a rentabilidade da atividade deixou de depender exclusivamente da valorização da arroba. Em vez disso, a eficiência produtiva e a gestão dos custos ganharam protagonismo na formação das margens.

Os números mostram uma mudança estrutural na atividade. Em junho de 2024, uma arroba de boi gordo pagava apenas 14,47 dias de alimentação no Centro-Oeste e 18,89 dias no Sudeste. Agora, esse poder de compra subiu para 25,06 dias e 28,12 dias, respectivamente. Com isso, a alimentação, que antes consumia até 89,1% da receita obtida por arroba produzida, passou a representar cerca de 51% da receita nas duas regiões.

Segundo a análise do ICAP, esse avanço explica por que a queda da arroba registrada em junho não comprometeu a rentabilidade dos confinamentos. O estudo aponta que a eficiência na conversão da alimentação em arrobas produzidas se consolidou como o principal diferencial competitivo da pecuária intensiva brasileira, permitindo que a atividade mantenha margens elevadas mesmo em um cenário de preços mais pressionados para o boi gordo.

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