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Procuradoria francesa apura racismo contra Mbappé por senadora paraguaia

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Procuradoria francesa apura racismo contra Mbappé por senadora paraguaia

A Procuradoria francesa abriu um inquérito por injúria agravada e incitação ao ódio ou à violência após uma senadora paraguaia proferir insultos racistas contra o atacante Kylian Mbappé depois da derrota do Paraguai para a França, em partida válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo.

A Procuradoria de Paris informou à agência Associated Press que iniciou a investigação na terça-feira (7), após a unidade nacional de combate ao ódio online receber uma denúncia da Federação Francesa de Futebol (FFF).

Celeste Amarilla, senadora do Partido Liberal Radical Autêntico do Paraguai, publicou uma série de comentários racistas nas redes sociais após Mbappé marcar o gol de pênalti decisivo na vitória da França sobre o Paraguai por 1 a 0, no sábado (4), zombando da origem, criação, educação e aparência do capitão francês.

Com o resultado, a França avançou para as quartas de final. Seu próximo adversário será a seleção marroquina. O jogo está marcado para esta quinta-feira, às 17h (horário de Brasília), no Gillette Stadium, em Boston.

Mbappé chamou Amarilla de “mulher desprezível” e “indigna” de seu cargo no Congresso paraguaio.

“Por causa de sua imprudência e racismo flagrante, o mundo inteiro já se esqueceu da trajetória e do esforço histórico que seus jogadores realizaram nesta Copa do Mundo, escreveu o camisa 10 francês na rede social X.

A Procuradoria de Paris afirmou que “os comentários teriam sido feitos em razão da origem, etnia, nacionalidade, raça ou religião real ou presumida da vítima”. Esses crimes são puníveis com até um ano de prisão e multa de 45 mil euros (pouco mais de R$ 265 mil).

Amarilla publicou uma carta aberta em francês e espanhol endereçada a Mbappé nas redes sociais. A senadora afirmou que seu problema era com o jogador, não com a França.

“Depois de um tempo, me arrependi de ter te tratado mal com os mesmos insultos que eu recebo, porque eu também sou desprezada por ser negra e latina, uma ‘sul-americana’, como nos chamam. Me arrependi e apaguei a publicação”, acrescentou Amarilla. “Percebi que estava repetindo padrões que detesto, então a apaguei. Entendo que isso te incomodou porque é humilhante.”

No entanto, ela exigiu um pedido de desculpas de Mbappé, acusando-o de violência de gênero e ameaçando processá-lo caso ele não se retratasse.

Na tarde de segunda-feira (6), o governo paraguaio divulgou um comunicado condenando as declarações de Amarilla.

“O Governo da República do Paraguai deplora e rejeita as declarações da senadora Celeste Amarilla, dirigidas ao capitão da seleção francesa, Kylian Mbappé, que são contrárias aos valores e princípios que inspiram a convivência pacífica e o respeito à dignidade humana que nosso país promove”, diz o comunicado.

A Federação Francesa de Futebol condenou os comentários de Amarilla nesta segunda-feira (6) como “absolutamente abomináveis” e “inaceitáveis”, acrescentando que encaminhará o caso ao Ministério Público.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e a ministra dos Esportes, Marina Ferrari, manifestaram seu apoio ao capitão da seleção. “Ao atacar Kylian Mbappé, a senadora está atacando tudo o que nosso capitão representa e tudo o que nosso país defende: liberdade, igualdade e fraternidade”, escreveu Ferrari no X.

“Mais um gol de Kylian Mbappé, desta vez contra o racismo”, escreveu Macron no X. Ele acrescentou que o capitão tem “nosso total apoio”.

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