A China tem que comprar 25 milhões de toneladas de soja aos EUA pelo acordo assinado entre os presidentes Xi Jiping e Donald Trump, em maio. E essas compras devem se concentrar no quarto trimestre deste ano e no primeiro de 2027, segundo avaliação da consultoria StoneX.
É nesse período que o grão norte-americano fica mais barato, logo após a colheita, e coincide com o fato de o Brasil e outros países da América do Sul estarem em entressafra.
Passado esse período de concentração de vendas americana, a consultoria espera uma concorrência intensa, que “deve levar o Brasil a maximizar exportações a preços competitivos, tornando desafiador para os EUA elevarem os embarques além dos volumes acertados no acordo comercial“.
Em relatório, a StoneX diz que as pressões econômicas sobre a China estão se agravando em vez de arrefecer. O texto cita a contração das vendas de varejo no país (0,6% na comparação anual); queda nas vendas de veículos (16,1%) e de móveis (8,7%); além do setor de alimentação, que caiu 0,6.
“Essa deterioração mais acentuada do que o esperado no mercado consumidor, agravada por choques de energia, sinaliza desafios crescentes para que a China”, diz o texto.
Vara de suínos
A StoneX também cita que o país sofre como uma redução na vara de suínos e, portanto, das compras de soja e farelo para ração animal. Ao mesmo tempo, o país teve problemas climáticos que destruíram as lavouras de trigo, que agora podem ser usadas na ração.
Por fim, rumores de mercado sugerem que a China pode liberar 17 milhões de toneladas de arroz de estoques antigos, para a ração animal nos próximos meses.
O plantel de suínos do país é avaliado em 39 milhões de cabeças no fim de abril. Autoridades do governo indicam que devem ficar em 36,5 milhões para se equilibrar com a demanda atual.

