O Comitê Olímpico Internacional (COI) suspendeu provisoriamente nesta terça-feira (7) a punição imposta ao Comitê Olímpico Russo (ROC, na sigla em inglês), em um passo significativo para a reintegração da Rússia ao movimento olímpico antes dos Jogos de Los Angeles 2028.
Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, o ROC foi suspenso em outubro de 2023 por reconhecer conselhos olímpicos regionais em áreas ucranianas ocupadas pelas forças russas — Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia.
O COI informou que seu conselho executivo decidiu retirar a suspensão, mas afirmou que ainda não definiu se a Rússia poderá exibir sua bandeira, suas cores nacionais ou ter seu hino executado durante os Jogos.
“Deixamos claro que todos os atletas tinham a possibilidade de competir nos Jogos Olímpicos. É exatamente isso que esta decisão representa. Ela permite que atletas russos participem de competições esportivas. Consideramos muito importante que os atletas tenham essa possibilidade”, afirmou a presidente do COI, Kirsty Coventry, em entrevista coletiva.
Segundo Coventry, a entidade continuará acompanhando de perto a situação envolvendo a Rússia. “Quando reforçamos nossa regra de neutralidade, ficou muito claro que a seleção não seria baseada apenas no desempenho esportivo, mas também na capacidade de servir como exemplo”, declarou.
O ministro dos Esportes da Rússia, Mikhail Degtyarev, afirmou que a decisão do COI deve abrir caminho para o retorno completo dos atletas russos ao cenário esportivo internacional.
“O retorno do nosso país à família olímpica é um sinal verde para que as federações internacionais reintegrem todos os nossos atletas”, disse Degtyarev.
Atletas russos competiram como neutros nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 e nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026.
Em comunicado, o COI afirmou que a decisão foi tomada após uma análise detalhada da Comissão de Assuntos Jurídicos da entidade, levando em consideração que o ROC “não inclui mais como membros nenhuma organização esportiva regional em territórios sob a jurisdição do Comitê Olímpico Nacional da Ucrânia”.
Em 2023, o COI havia declarado que o reconhecimento, por parte da Rússia, de conselhos olímpicos regionais em áreas ocupadas da Ucrânia violava a Carta Olímpica e a integridade territorial do Comitê Olímpico Ucraniano.
Nesta terça-feira (7), a entidade afirmou: “O ROC confirmou que não realiza e não realizará atividades nesses territórios. O Conselho Executivo do COI continuará monitorando de perto a situação relacionada a qualquer atividade do ROC nessas áreas e reserva-se o direito de adotar novas medidas caso seja considerado necessário”.
Escândalos de doping
Além do isolamento internacional provocado pela invasão da Ucrânia, o retorno dos atletas russos às competições ocorre sob o peso de um dos maiores escândalos de doping da história olímpica.
A Rússia está sob forte escrutínio desde 2015, quando um relatório encomendado pela Agência Mundial Antidoping (WADA) apontou evidências de um esquema sistemático de doping no atletismo russo. Investigações posteriores revelaram ainda a existência de um programa de acobertamento estatal relacionado aos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014.
Como consequência, a Rússia foi impedida de competir com sua bandeira em diversas edições posteriores dos Jogos, e muitos atletas só puderam participar sob condição de neutralidade. Em 2019, a WADA aplicou uma suspensão de quatro anos ao país após concluir que dados laboratoriais haviam sido manipulados em Moscou. A punição foi posteriormente reduzida para dois anos pelo Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
Autoridades russas negaram repetidamente a existência de um programa estatal de doping.
“Pedimos que sejam realizados testes adequados nos atletas russos que participarão dos Jogos de Los Angeles 2028”, afirmou Coventry.
Uefa detona Fifa por liberar Balogun na Copa: “Cruzou uma linha vermelha”

