Rumores sobre o parentesco entre o dramaturgo Benedito Ruy Barbosa e a atriz Marina Ruy Barbosa voltaram a circular após a morte dele aos 95 anos. Conhecido por emplacar novelas de sucesso como “Pantanal” e “Renascer”, ele sofria com insuficiência renal crônica.
Apesar da semelhança, a atriz e o autor de novelas não compartilhavam nada além do mesmo sobrenome. Não há relação de parentesco entre os dois, sendo o fato apenas uma coincidência.
O nome de Benedito se devia a uma homenagem feita pelo pai, que o batizou de Benedito Ruy, em homenagem ao jornalista, político e jurista Rui Barbosa. Este sim é tataravô da atriz.
Marina já chegou a se pronunciar sobre o caso, quando questionada por internautas em suas redes sociais. “Não sou parente do Benedito, mas admiro muito ele. O pai do Benedito admirava Rui Barbosa e colocou o nome do filho de Benedito Ruy. Mas o sobrenome da família dele é Barbosa. Então, não tenho nenhum parentesco com ele. Minha família não é do meio artístico”, explicou ela.
Rui Barbosa foi um jornalista, político e jurista de grande relevância no início da República, no século XIX. Ele foi ativista pela educação e assumiu o os ministérios da Fazenda e da Justiça no início do período republicano do Brasil.
Benedito Ruy Barbosa marcou gerações com telenovelas
As primeiras novelas de Benedito Ruy Barbosa foram ainda na década de 1960, com “Somos Todos Irmãos” e “O Anjo e o Vagabundo”, de 1966 – ambas exibidas na extinta TV Tupi.
A chegada à TV Globo aconteceu em 1971, quando o dramaturgo escreveu “Meu Pedacinho de Chão”. A inspiração veio da infância que teve nas cidades rurais. Em plena ditadura militar no Brasil, Barbosa acabou sendo vítima da censura do governo: a história sofreu alguns cortes, mas ele conseguiu negociar a manutenção de algumas cenas.
No entanto, o primeiro contrato de sucesso com a Globo aconteceu somente em 1976. Naquele ano, iniciou a carreira televisiva com “O Feijão e o Sonho”, das 18h. Logo em seguida, fez sucesso com “À Sombra dos Laranjais” (1977) e “Cabocla” (1979).
Outros títulos de Benedito Ruy Barbosa foram “Paraíso” (1982), “Voltei pra Você” (1983), “De Quina pra Lua” (1985), “Sinhá Moça” (1986), “Vida Nova” (1988), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999).
Também teve passagem pela TV Bandeirantes, onde escreveu a novela “Os Imigrantes” (1981).
Na TV Globo, sua última obra original foi “Velho Chico”, que se passava na região do rio São Francisco, e que foi ao ar em 2016.
Além da temática rural, Benedito Ruy Barbosa costumava ter especial apreço por histórias de imigrantes, como em “O Rei do Gado” e “Vida Nova”. O autor também prezava pelos romances. “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”, disse sobre Matteo e Giuliana, de “Terra Nostra”.
Além de autor de novelas, Benedito Ruy Barbosa trabalhou como repórter e revisor em jornais como “O Estado de S. Paulo” e “Última Hora”. Também teve passagens pela Gazeta Esportiva e atuou como redator publicitário da Radial Propaganda.
As novelas de Benedito Ruy Barbosa tiveram grande sucesso, e muitas ganharam remakes na TV Globo.
A primeira a ser adaptada foi “Cabocla”, em 2004, seguida por “Paraíso”, adaptada novamente em 2009.
Já a novela “Pantanal”, exibida na Rede Manchete em 1990, ganhou um remake em 2022, incluindo atores da versão original, como Marcos Palmeira. A adaptação foi assinada pelo neto Bruno Luperi.
“Renascer”, um clássico do autor, ganhou outra versão em 2024, também pelas mãos de Luperi, e novamente com Palmeira em um dos papéis principais.
*Com informações de Gabriela Piva, da CNN Brasil em São Paulo

