Nos Estados Unidos, Tyler Robinson, o jovem de 23 anos acusado de matar o ativista conservador Charlie Kirk, compareceu ao tribunal nesta segunda-feira (6) para o início de uma audiência que durará vários dias, na qual os promotores do estado de Utah vão apresentar algumas das provas do caso.
A promotoria apresentou sua primeira testemunha, um ex-policial da Universidade Utah Valley, que descreveu o tiroteio, suas consequências e sua reação.
Espera-se que as provas apresentadas nesta semana também incluam um depoimento gravado em vídeo de uma ex-colega de quarto de Robinson, uma testemunha-chave.
A colega de quarto – descrita nos autos do processo como parceira romântica de Robinson – deverá fornecer informações sobre as mensagens que os dois supostamente trocaram após o tiroteio fatal em setembro passado, incluindo o que os investigadores alegam ser uma confissão de Robinson.
Os pais de Kirk, sua viúva Erika Kirk e Donald Trump Jr. – que era um amigo próximo da vítima – foram vistos no tribunal na manhã desta segunda-feira.
No início da audiência, o juiz Tony Graf desejou bom dia a Erika Kirk.

A declaração gravada é apenas uma das provas que o Ministério Público pretende apresentar durante esta audiência preliminar, que está prevista para durar vários dias.
Os promotores pretendem convocar alguns policiais para depor, conforme consta nos autos do processo, além de exibir provas materiais – incluindo imagens de câmeras de segurança, fotos da suposta arma do crime, laudos balísticos e as mensagens trocadas entre Robinson e sua colega de quarto.
A equipe de defesa já havia declarado que planeja convocar três peritos forenses para depor.
A audiência ocorre cerca de dez meses depois de Kirk, o conservador radical de 31 anos e cofundador do grupo Turning Point USA, ter sido morto a tiros enquanto discursava para uma plateia de aproximadamente 3.000 pessoas durante um evento na UVU (Universidade Utah Valley), em Orem.
A notícia de sua morte – um exemplo da violência política que assola os Estados Unidos nos últimos anos – rapidamente se espalhou pelo mundo, com vídeos chocantes inundando as redes sociais e políticos de ambos os lados do espectro político condenando o assassinato.
No dia seguinte ao tiroteio, Robinson se entregou à polícia.
Os promotores afirmaram que pretendem pedir a pena de morte contra Robinson, que é acusado de homicídio qualificado, porte ilegal de arma de fogo, prática de crime violento na presença de menor e obstrução da justiça.
Ele também é acusado de intimidação de testemunha relacionada a algumas de suas supostas comunicações com sua colega de quarto.
Suspeito ainda não se declarou culpado ou inocente
Em Utah, uma audiência preliminar é usada para determinar se há indícios suficientes para sustentar as acusações apresentadas.
Se o juiz considerar que há provas suficientes para prosseguir para o julgamento, Robinson será formalmente acusado e se declarará culpado ou inocente.

O juiz determinou, na semana passada, que as emissoras de notícias poderão gravar e transmitir grande parte da audiência, apesar das objeções dos advogados de Robinson.
Sua equipe de defesa tem levantado repetidamente preocupações sobre a cobertura jornalística do processo de grande repercussão, argumentando em documentos judiciais que isso poderia prejudicar seu direito a um julgamento justo e transformar seu caso em “um reality show”, enquanto os promotores afirmam que a presença de câmeras no tribunal é a melhor maneira de combater a desinformação desenfreada e as teorias da conspiração.
A defesa argumentou pelo adiamento da audiência, alegando em documentos judiciais apresentados nesta primavera que o grande volume de provas significava que os advogados de Robinson não seriam capazes de se preparar adequadamente.
Anteriormente, eles também argumentaram que não tiveram a oportunidade de analisar todas as provas forenses, o que, mais uma vez, limitou sua capacidade de responder à acusação do Estado.
A defesa, entretanto, recebeu os relatórios probatórios completos que solicitou.
Em um comunicado, a família de Kirk expressou gratidão pelo “apoio, orações e carinho que recebemos”, dizendo que “essa demonstração de apoio nos sustentou durante os dias mais sombrios de nossas vidas”.
“Charlie era um marido, filho, irmão, amigo e pai amado”, dizia o comunicado. “Cada audiência judicial serve como uma dolorosa lembrança de sua morte e da perda que impactou irremediavelmente nossas vidas e as vidas de seus filhos.”
“Por respeito ao processo judicial, não faremos mais comentários neste momento”, diz o comunicado. “Pedimos privacidade enquanto lidamos com este processo e com a imensa dor.”
O assassinato de Charlie Kirk
Kirk foi baleado no pescoço no início da tarde de 10 de setembro de 2025, enquanto discursava para a multidão reunida no pátio do campus da UVU para um evento que dava início à sua turnê nacional “The American Comeback”.

Câmeras de vigilância registraram uma pessoa vestida com roupas escuras em um telhado próximo, com vista para o pátio, menos de dez minutos antes do assassinato, disseram os promotores nos documentos da acusação.
Imediatamente após o disparo fatal, a pessoa correu pelo telhado segurando um objeto com formato semelhante a um rifle, antes de descer para o chão e correr em direção a uma área arborizada, escreveram os promotores.
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Na mata, os investigadores disseram ter encontrado a arma suspeita do crime – um rifle Mauser Modelo 98 calibre .30-06 de ação por ferrolho com mira telescópica acoplada – envolta em uma toalha.
A arma continha um cartucho deflagrado e três cartuchos intactos, cada um com mensagens gravadas, de acordo com os documentos da acusação.
O DNA compatível com o de Robinson foi encontrado no gatilho da arma, no estojo do cartucho deflagrado, em dois dos outros cartuchos e na toalha, disseram os promotores.
A equipe de defesa de Robinson afirmou que uma análise mais complexa é necessária porque os laudos periciais indicam que o DNA de várias pessoas – até “cinco ou mais” – foi encontrado em alguns itens.
Uma análise federal dos fragmentos de bala recuperados do corpo de Kirk “não pôde ser identificada nem descartada” como sendo de origem do rifle recuperado, de acordo com documentos judiciais.
A defesa se apropriou desse relatório em seus autos, alegando que ele “não conseguiu identificar a bala recuperada na autópsia como sendo do rifle supostamente ligado ao Sr. Robinson” e, portanto, poderia ser exculpatório.
Resultados inconclusivos em análises balísticas não são incomuns, já que a análise depende do tamanho e da condição dos fragmentos de bala recuperados.
No dia seguinte ao tiroteio, os pais de Robinson perceberam que as imagens que circulavam do suspeito – que ainda estava foragido – e da suposta arma do crime se assemelhavam ao seu filho e à sua arma, de acordo com um relato que o casal deu aos investigadores e que foi citado nos documentos da acusação.
Os pais de Robinson o convenceram a encontrá-lo em casa, onde ele “insinuou ser o atirador e afirmou que não podia ir para a cadeia e que só queria acabar com tudo”, escreveram os promotores nos documentos da acusação.
“Quando perguntado por que fez isso, Robinson explicou que existe muita maldade e que o cara [Charlie Kirk] espalha muito ódio”, escreveram eles.
Com a ajuda de um amigo da família, um delegado aposentado, os pais de Robinson o convenceram a se entregar às autoridades, de acordo com os documentos da acusação.

Naquela noite, detetives à paisana receberam Robinson quando ele se entregou em uma delegacia local, acompanhado por seus pais e pelo amigo da família, disse o xerife do Condado de Washington, Nate Brooksby, na época.
Colega de quarto é testemunha importante
A colega de quarto de Robinson – que a promotoria, citando a mãe de Robinson, descreveu em documentos judiciais como uma pessoa em “transição de gênero” – provavelmente é componente crucial da acusação.
Os promotores argumentam que as mensagens entre os dois incluem o que equivale a uma confissão por parte do réu.
O Ministério Público de Utah concedeu imunidade limitada à colega de quarto em troca de uma declaração gravada prestada aos investigadores em abril.
A declaração, que segundo os promotores inclui discussões sobre as supostas mensagens de Robinson, deverá ser apresentada durante a audiência preliminar.

No dia em que Kirk foi morto, Robinson enviou uma mensagem à colega de quarto dizendo: “Largue o que está fazendo e olhe embaixo do meu teclado”, de acordo com os documentos da acusação.
Os promotores disseram que a colega de quarto encontrou um bilhete escrito à mão embaixo do teclado que dizia: “Tive a oportunidade de eliminar Charlie Kirk e vou aproveitá-la.”
“Você não foi quem fez isso, né????”, a colega de quarto mandou uma mensagem para Robinson, segundo os documentos.
“Sim, eu sinto muito”, Robinson teria respondido.
Em mensagens seguintes incluídas nos documentos da acusação, Robinson fez referência à gravação de balas e a deixar seu rifle embrulhado em uma toalha.
Questionado sobre o motivo de ter feito isso, Robinson teria escrito à sua colega de quarto: “Chega do ódio dele. Alguns ódios são irreconciliáveis.”
Após escrever que iria se entregar, os promotores disseram que Robinson instruiu sua colega de quarto a apagar as mensagens entre eles.
“Se algum policial lhe fizer perguntas, peça um advogado e fique em silêncio”, ele teria escrito.

