A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega reacendeu o debate sobre as escolhas táticas de Carlo Ancelotti durante a partida. Para o comentarista da Itatiaia Edu Panzi, o trabalho do treinador no segundo tempo foi “muito ruim”, especialmente após a entrada de Neymar em campo.
Segundo Panzi, o primeiro tempo do Brasil foi positivo. “O Brasil produziu no primeiro tempo o suficiente para ir ao intervalo vencendo por um ou dois gols”, afirmou. O problema, na avaliação do comentarista, foi a perda do pênalti e as diversas chances desperdiçadas, que transformaram o goleiro norueguês, Orjan Nyland, no principal jogador da primeira etapa.
A entrada de Neymar e o colapso ofensivo
A decisão de escalar Endrick foi considerada compreensível por Panzi, que avaliou que o jogador cumpria a função de pressionar a zaga adversária e impedir que os zagueiros avançassem até o meio de campo.
No entanto, a entrada de Neymar na sequência alterou completamente a estrutura ofensiva da equipe. “A partir do momento que o Neymar entra em campo, o Ancelotti aniquila o sistema ofensivo brasileiro e traz um conforto muito grande para a Noruega transformar essa posse de bola em chances”, declarou o comentarista. Além disso, a substituição tirou Vini Jr. de posições próximas ao gol.
Panzi também destacou a diferença de eficiência entre os atacantes brasileiros e Erling Haaland. “O Haaland, se você joga uma geladeira para ele dentro da área, ele transforma a geladeira em gol”, comparou.
O comentarista lembrou que o Brasil já teve jogadores com esse perfil de aproveitamento, mas que os atacantes atuais precisam de múltiplas oportunidades para marcar — chances que, nesta partida, foram criadas e desperdiçadas.
Problema vai além do campo
Para Edu Panzi, a crise da Seleção Brasileira não se resume a uma partida ou a uma decisão técnica isolada. “O futebol que nós estamos entregando há mais de uma década é mediano”, afirmou.
O comentarista apontou que a instabilidade fora de campo, com múltiplas trocas de treinadores em um mesmo ciclo de Copa do Mundo, reflete diretamente no desempenho dentro das quatro linhas. “O erro está todo extra-campo e o reflexo vai nitidamente dentro de campo”, disse.
Panzi defendeu que Ancelotti receba continuidade no trabalho e liberdade para encerrar ciclos com jogadores da seleção. Para o comentarista, o avanço do futebol brasileiro passa necessariamente pelo reconhecimento dos próprios problemas. “Você só começa a corrigir um problema a partir do momento que você aceita que você tem um problema”, concluiu.

