Taiwan precisa de um “ninho de vespas” de drones para ajudar a dissuadir conflitos e garantir a segurança, afirmou a principal autoridade diplomática dos Estados Unidos junto à ilha de governo democrático, na quinta-feira (2).
Os Estados Unidos, principal apoiador internacional e fornecedor de armas de Taiwan, apesar da ausência de laços diplomáticos formais, têm apoiado fortemente o plano de modernização militar do governo e o aumento dos gastos com defesa.
Taiwan afirma que precisa reforçar suas defesas diante da ameaça crescente da China, que reivindica a ilha como seu próprio território.
Ao discursar em um fórum sobre drones na cidade de Taichung, Raymond Greene, diretor do Instituto Americano em Taiwan e embaixador de facto dos EUA, afirmou que os drones representam uma “oportunidade transformadora” para fortalecer a segurança de Taiwan e reforçar a paz em toda a região.
Os EUA e Taiwan podem servir de base para a produção “democrática” de drones e fortalecer a postura de dissuasão coletiva do mundo livre, disse Greene.
“Felizmente para Taiwan, os drones fortaleceram significativamente os defensores, mesmo diante de uma desvantagem avassaladora”, acrescentou ele, referindo-se à guerra na Ucrânia.
“Nada vai dissuadir o conflito de forma mais eficaz do que transformar Taiwan em um vespeiro de drones aéreos, de superfície e submarinos”, completou o diretor.
Gastos com drones
Embora o governo de Taiwan tenha priorizado drones e outros sistemas assimétricos, em maio o Parlamento controlado pela oposição aprovou apenas dois terços dos 1,25 trilhões de dólares taiwaneses (40 bilhões de dólares americanos) em gastos adicionais de defesa solicitados pelo presidente Lai Ching-te, destinando recursos exclusivamente para armamentos dos Estados Unidos.
O governo propôs um novo pacote de 210 bilhões de dólares taiwaneses (cerca de 6.59 bilhões de dólares americanos) para vigilância, ataques costeiros e pequenos drones de superfície não tripulados até o final de 2031.
O KMT (Kuomintang), principal partido de oposição de Taiwan, propôs nesta semana sua própria legislação sobre drones, com um teto de gastos fixado em 240 bilhões de dólares taiwaneses ao longo de seis anos e um limite anual de 40 bilhões.
O plano do partido financiaria os drones por meio do orçamento principal em vez de um orçamento especial, que é a opção desejada pelo governo.
Ao discursar no mesmo fórum que Greene, a prefeita de Taichung, Lu Shiow-yen, membra sênior do KMT, afirmou que o Parlamento deveria “trabalhar em conjunto” para promover o desenvolvimento da indústria de drones.
“Da Ucrânia ao Irã, a natureza da guerra internacional mudou devido aos drones e veículos não tripulados“, disse Lu, amplamente vista nos círculos políticos como futura candidata à Presidência.
Taichung é um dos centros da indústria de drones de Taiwan, abrigando empresas como Thunder Tiger 8033.TW e a Aerospace Industrial Development Corp (AIDC) 2634.TW, uma importante contratada do governo na área de defesa.
Na quinta-feira (2), o presidente Lai Ching-te afirmou que a necessidade de drones era urgente.
“Diante das mudanças no cenário geopolítico e da evolução da guerra moderna, o desenvolvimento de capacidades de combate assimétrico é um projeto de defesa nacional que representa uma corrida contra o tempo”, disse ele em uma reunião de seu Partido Democrático Progressista.
Lai rejeita as reivindicações de soberania de Pequim, afirmando que apenas a população da ilha pode decidir o seu futuro.
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