As produções de true crime se tornaram um fenômeno nos streamings. Independentemente do formato, do conhecimento público do caso ou da plataforma, elas viram pauta e alcançam números atraentes às empresas.
A série “Tremembé”, que ficcionaliza o dia a dia de criminosos que chocaram o Brasil, é o maior lançamento nacional do Prime Video. Os cinco episódios movimentaram o streaming. O público agora aguarda a nova temporada, que encerrou as gravações essa semana.
A CNN Brasil visitou o set da segunda temporada e conversou com alguns dos atores. À CNN, Felipe Simas falou sobre o dilema de interpretar um criminoso e como decidiu abraçar esse projeto.
Dilema da humanização e visão de fé
Ao mergulhar na psique de um personagem real condenado por um crime hediondo, Simas não escondeu os questionamentos internos que enfrentou ao aceitar o papel. Para ele, a busca pela humanização vai de encontro com as suas crenças.
“Enquanto ser humano, eu me questiono: ‘Será que pode amar quem comete crime desses?‘. Pode amar sim, pode e deve, porque o amor é a solução. O amor é a saída do crime como esse, por exemplo. Então, quanto mais humano é, mais verdadeiro e mais cativante é o processo do artista, e isso para todos os personagens, incluindo aqueles que cometem crimes.”
O ator também traçou um paralelo entre a reação da sociedade diante de casos de grande repercussão e as próprias convicções pessoais.
“Vingança é diferente de justiça. Eu acho que a sociedade ainda pensa assim, que quem comete crime deve pagar quase como uma vingança. E a fé que eu tenho, que eu exerço, me leva a crer que quem comete crime tem que pagar com a Justiça, cumprir a sua pena, mas, no coração, no íntimo, ele deve ser perdoado.”
Reconhecendo a complexidade do tema, Felipe Simas ponderou que falar sobre perdão em um cenário de tragédia é um exercício difícil, principalmente por nunca ter vivido uma situação semelhante em âmbito familiar.
“Esse é o grande dilema, sinceramente, porque eu nunca passei por episódio como esse, nunca fui vítima. Minha família nunca foi vítima de episódio como esse. Então eu não sei como eu ia reagir, mas, ao mesmo tempo, a minha fé me leva a crer que essa é a única saída, que, enquanto a gente ficar assim vingando do outro, a guerra continua. Quando interrompe, é oferecendo perdão, oferecendo amor. Eu acho que o ciclo de violência termina. Difícil, bastante, mas é o que eu acredito”, disse.
O crime de Daniel Cravinhos
Daniel Cravinhos foi condenado a 39 anos de prisão por participar do assassinato do casal Manfred e Marísia von Richthofen em 2002, pais da então namorada Suzane von Richthofen. Ele está em regime aberto desde 2018 e hoje trabalha com customização de motocicletas.
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