Um levantamento da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que 97% das indústrias brasileiras seriam impactadas por uma eventual redução da jornada de trabalho. A medida é rejeitada por 73% dos empresários do setor e reacendeu o debate sobre a produtividade da economia brasileira.
A pesquisa, realizada com 1.300 empresas das indústrias extrativa, de transformação e da construção, de pequeno, médio e grande porte, mostra que 85% adotam jornada semanal de 44 horas.
Além disso, 85% preveem aumento dos custos com empregados, 82% estimam alta nos custos com fornecedores, 70% apontam perda de competitividade e 68% projetam queda no volume de produção.
Em entrevista ao CNN Money, o professor de Economia do Ibmec-RJ, José Ronaldo Souza, afirmou que a produtividade brasileira está praticamente estagnada desde a década de 1980. Segundo ele, produtividade é a capacidade de a economia crescer acima do avanço dos investimentos e da força de trabalho.
“O Brasil está ficando para trás. Ao invés de a gente diminuir a diferença em relação aos países líderes, a gente está aumentando essa diferença”, disse.
Na avaliação do economista, a rigidez do mercado de trabalho é um dos fatores que explicam esse desempenho, ao lado da baixa qualidade da educação, da formação profissional, do sistema tributário e da insegurança regulatória.
Para o professor, a discussão sobre a redução da jornada sem ganhos prévios de produtividade inverte a lógica econômica.
“Para que seja possível reduzir a carga de trabalho, é importante que haja um aumento da produtividade”, afirmou. Souza também argumentou que nem países como a França proíbem o trabalho em seis dias, devido à maior flexibilidade de suas legislações.
“Não tem como a gente melhorar a produtividade por lei”, completou.
O professor ainda alertou que a mudança pode ampliar a informalidade e a judicialização das relações de trabalho, elevando os custos e reduzindo os investimentos. Segundo ele, ganhos salariais sustentáveis dependem do aumento da produtividade e não apenas de mudanças na legislação.
“Você só tem aumento de renda sustentável no longo prazo se houver aumento de produtividade”, concluiu.

