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“Dolly Guaraná”: Jingle famoso e polêmicas; relembre história da marca

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
“Dolly Guaraná”: Jingle famoso e polêmicas; relembre história da marca

Após anos em recuperação judicial, a famosa marca brasileira de refrigerantes Dolly teve o pedido de falência protocolado pelas procuradorias do estado de São Paulo e da Fazenda Nacional.

O pedido foi direcionado à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que conduzia o processo de recuperação há quase uma década. Iniciado em 2018, o processo foi extinto, sem conclusão, em maio deste ano.

A falência acontece um ano antes da empresa completar quatro décadas no mercado brasileiro. Em seu site oficial, a Dolly afirma que a marca 100% nacional está em atividade desde 1987.

Segundo a companhia, a marca trouxe o primeiro refrigerante Diet para o Brasil depois de uma briga na justiça vencida pela fabricante de refrigerantes. Até 1987, baseada em uma lei de 1973, a fabricação desse tipo de bebida era proibida pelo uso de edulcorantes sintéticos.

Com a ação a favor da Dolly, os sabores Guaraná e Limão Diet passaram a ser comercializados em 1988.

No entanto, a Dolly passou a fazer parte da imaginário brasileiro quando lançou uma das suas campanhas publicitárias mais famosas, em 2003, sob o slogan “Dolly: para quem não tem medo de mudar…para O MELHOR!”.

A partir de então, a marca investiu em comerciais e jingles que marcaram gerações, como a música-tema do mascote oficial, o “Dollynho”. No YouTube da empresa, a canção mais conhecida da empresa alcançou 27 milhões de visualizações desde a sua publicação.

Além dessa, outras campanhas fizeram sucesso, como o Dolly Dia das Mães, vídeo que possui cerca de 18 milhões de visualizações no canal de YouTube da marca.

A estratégia fez com que a Dolly entrasse de vez no imaginário do brasileiro. Internautas, de tempos em tempos, relembram as propagandas que caíram na boca do povo e remontam a história da marca.

No X, o antigo Twitter, um dos usuários relembrou outro motivo da fama da marca: o seu preço acessível em comparação com outras marcas. Na foto publicada, o refrigerante de dois litros custava R$ 0,55.

• Reprodução/X/@William_Castro

Atualmente, os mesmos sabores custam cerca de R$ 5,50.

Prisão de Codonho

Anós após a guerra travada com a Coca-Cola, o presidente da Dolly se envolveu em mais uma rixa: agora com a Justiça.

Em 2025, durante a recuperação judicial da empresa, Larte Codonho foi condenado a 11 anos, 10 meses e 4 dias de prisão por corrupção ativa, falsificação de documento e crime ambiental. 

O juiz Djalma Moreira Gomes Júnior negou ao empresário a substituição da prisão por medidas restritivas, como a tornozeleira eletrônica, e exigiu que Codonho pagasse uma multa.

De acordo com a acusação, o presidente da Dolly havia, por meio de sua empresa Stockbanck, causado dano ambiental em um terreno localizado em São Lourenço da Serra.

Ainda segundo os autos, Laerte teria oferecido propinas a agentes públicos para evitar punições pelo desmatamento da área.

À época, a defesa de Codonho havia mencionado à CNN Brasil que iria recorrer da sentença, além de confiar serenamente que o Tribunal de Justiça de São Paulo reformaria a condenação.

O presidente da Dolly, por sua vez, questionou a condenação por falsificação de documento e afirmou que as assinaturas não são dele. O empresário também disse que teve autorização da própria Comarca de Itapecerica para agilizar a conclusão da obra.

“Uma coisa maluca… A própria Justiça disse que estava tudo ok para concluir a obra, e estou sendo condenado por crime ambiental.”

Sobre a condenação por corrupção, Codonho se defende e afirma que as mensagens do processo surgiram depois que um celular foi apreendido e periciado.

Fim da Dolly?

Na noite de quarta-feira (1º), as procuradorias do Estado de São Paulo e da Fazenda Nacional protocolaram um pedido conjunto pela falência das empresas que compõem o Grupo Dolly.

As dívidas passam dos R$ 15 bilhões e, segundo o documento enviado pelas procuradorias, grande parte desse valor é considerada exigível e sem garantias suficientes.

O processo de recuperação judicial iniciado em 2018 foi extinto em maio deste ano sem conclusão. A empresa então passou a considerar uma recuperação extrajudicial, buscando acordo com seus credores fora da Justiça.

Porém, a Dolly não foi capaz de cumprir os requisitos legais para seguir com o novo processo.

Os procuradores sustentam que o grupo utilizou a recuperação judicial para ganhar tempo sem efetivamente regularizar seus débitos tributários, suspendendo execuções fiscais e impedindo medidas de constrição patrimonial.

CNN Money tenta contato com a empresa e mantém o espaço aberto para posicionamento.

Segundo Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial e Societário, a ação ainda não significa o fechamento da empresa e o fim da marca.

Caso a Justiça aceitar o pedido protocolado, a Dolly terá a oportunidade de recorrer e barrar a falência. Se o pedido for deferido pela Justiça, se inicia o processo de falência, quando os administradores são afastados e os ativos da empresa vendidos para quitas as dívidas.

O especialista explicou que a marca Dolly pode ainda continuar existindo em um cenário de falência do grupo, já que uma empresa pode comprar a marca como um ativo e segui produzindo refrigerantes com o rótulo.

A CNN tenta contato com a empresa e para obter um posicionamento.

*Com informações de João Nakamura, da CNN Brasil

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