Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), líder da maioria na Câmara dos Deputados, afirmou que a decisão de Davi Alcolumbre sobre a PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 será respeitada.
Em entrevista ao Bastidores CNN desta quarta-feira (1º), o parlamentar declarou que a expectativa é que o Senado avance na matéria nos próximos meses, sem alterar o texto aprovado pela Câmara.
“Nós vamos respeitar a decisão do presidente Davi e do Senado Federal, mas nós vamos torcer que esse processo avance e a gente efetivamente entregue essa pauta ao povo brasileiro”, afirmou Costa Filho. O parlamentar lembrou que, caso o texto seja modificado pelo Senado, a proposta precisará retornar à Câmara para nova análise.
Sobre a pauta de segurança pública, Costa Filho sinalizou que a redução da maioridade penal e o endurecimento das penas devem ser prioridade no segundo semestre. Segundo ele, pesquisas indicam que mais de 85% da população brasileira apoia o aumento das penas.
“A gente precisa urgentemente ampliar as penas, ampliar as nossas leis com regras mais rígidas e mais duras para que a gente possa combater a criminalidade no país”, declarou.
O parlamentar também destacou a necessidade de um amplo debate sobre o feminicídio ao longo do ano. “Nós não podemos aceitar que em pleno século XXI a gente ainda tenha mulheres brasileiras sendo agredidas por seus companheiros”, afirmou. Ele defendeu penas ainda mais severas para casos de violência contra a mulher.
MEI, Simples Nacional e dívidas rurais
Outro tema abordado foi a proposta de elevação do teto do Microempreendedor Individual (MEI). Costa Filho explicou que a proposta do governo prevê o aumento do limite de R$ 81 mil para R$ 110 mil a partir de 2027 e para R$ 130 mil em 2028, além da permissão para contratação de mais um funcionário. “Há quase um consenso na Casa sobre apoiarmos essa proposta”, disse.
Em relação ao Simples Nacional, o parlamentar defendeu que o debate seja feito separadamente, em momento posterior, para evitar riscos fiscais.
“O que eu tenho defendido é que a gente avance no MEI e que a gente faça posterior um debate sobre o aumento do teto do Simples no Brasil”, disse. Ele alertou que uma eventual emenda de última hora elevando o teto do Simples poderia gerar um impacto de R$ 30 a 50 bilhões, comprometendo o equilíbrio fiscal do país.
Sobre a renegociação das dívidas rurais, classificada por membros do governo como “pauta-bomba”, Costa Filho informou que o projeto ficará paralisado até a próxima terça-feira (7), quando está prevista uma reunião no Ministério da Fazenda com a bancada da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), o relator da matéria e representantes do governo.
O objetivo, segundo ele, é construir coletivamente um texto que atenda os produtores rurais afetados por eventos climáticos sem comprometer o fiscal. “A gente não pode pegar um projeto como esse e transformar numa bomba fiscal que a economia brasileira não sustenta”, alertou.
Eleições 2026
Questionado sobre o cenário eleitoral de 2026, Silvio Costa Filho declarou pessoalmente defender a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ressaltando que fala em nome próprio e não como líder da maioria.
“Eu defendo a reeleição do presidente Lula, mas vamos respeitar a decisão do partido”, afirmou. Costa Filho foi ministro de Portos e Aeroportos até março de 2026.
Sobre a posição do Republicanos, o parlamentar informou que Marcos Pereira, presidente nacional do partido, deve iniciar um processo de escuta nos estados a partir de julho para definir o posicionamento da legenda. Costa Filho afirmou ser contrário ao apoio do partido a Flávio Bolsonaro (PL).
“Acho que não será bom para o Brasil nós termos o Flávio como presidente da República. Está muito claro que ele não está pronto, preparado para ser presidente do Brasil”, declarou, reforçando que a palavra final caberá a Marcos Pereira após ouvir os deputados.

