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Países sul-americanos se destacam na Copa com atletas que jogam no Brasil

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)

A Copa do Mundo 2026 bateu um recorde de jogadores convocados na competição que atuam no Brasil: no total, são 32 atletas representando seleções na competição, contando os sete representantes na seleção brasileira que atuam no país, casos de Weverton, Danilo, Léo Pereira, Alex Sandro, Lucas Paquetá, Danilo Santos e Neymar.

Apenas um deles é europeu, o atacante Memphis Depay, que seguiu para a Holanda. São outros 24 atletas sul-americanos.

Sem contar as tradicionais seleções do Brasil e Argentina, os principais destaque na disputa são Paraguai, que eliminou a Alemanha nas penalidades e chegou às oitavas-de-final, a Colômbia, que terminou a fase de grupo em primeiro, à frente de Portugal, e agora encara Gana, e Equador, que conseguiu a heróica classificação à fase de 16-avos graças a uma virada diante da Alemanha, por 2 a 1, e agora enfrenta o México.

Essas três seleções se destacam pela forte presença de jogadores brasileiros em suas seleções. Ao lado do Uruguai, único país do continente eliminado na primeira fase, o Paraguai é o que conta com mais atletas que atuam no Campeonato Brasileiro.

São sete no total: Gustavo Gomez, Junior Alonso, Bobadilla, Ramon Sosa, Isidro Pitta, Mauricio e Balbuena. Já o Equador tem 5 (Alan Franco, Alan Minda, Ângelo Preciado, Gonzalo Plata e Felix Torres), enquanto a Colômbia, 4 (Carrascal, John Arias, Andres Gomez e Portilla).

A Argentina só tem 1 (Flaco Lopez). Os atletas uruguaios que atuam no país são (Sergio Rochet, Varela, Piquerez, Nico de la Cruz, Arrascaeta, Emi Martinez e Cannobio), sendo que três deles não entraram em campo em nenhuma partida (Piquerez, Arrascaeta e Emi Martinez).

Atualmente, o Campeonato Brasileiro possui 158 jogadores estrangeiros atuando nesta temporada; a maioria é de argentinos, 47 no total, seguido por uruguaios, com 30, colômbianos, com 26, e paraguaios, com 11.

Na sequência, aparecem Equador, com 10, e Venezuela e Portugal, com 4. O número de atletas argentinos atuando na elite brasileira ainda fica abaixo das duas últimas temporadas, com 52 em 2025, e 48 em 2024.

“O crescimento do número de estrangeiros no futebol brasileiro é um reflexo direto de um mercado mais estruturado e atento às oportunidades. Hoje, há um mapeamento muito mais estratégico por parte dos clubes, que enxergam na América do Sul um celeiro de talentos com rápida adaptação ao nosso contexto competitivo”, afirma Dado Cavalcanti, gestor técnico da Squadra Sports.

“No caso dos colombianos, especificamente, existe uma identificação cultural que facilita esse processo. Esse movimento precisa estar sempre alinhado a critérios claros de desempenho, perfil e potencial de valorização, para que a vinda de atletas de fora não seja apenas uma reposição, mas um ganho real de competitividade e ativo para o clube”.

Entre os atletas com maior destaque, de acordo com o Transfermarkt, aparecem o argentino Flaco López, do Palmeiras, com valor de mercado de 22 milhões de euros, seguido pelo uruguaio Arrascaeta, do Flamengo, e o colombiano Jonh Árias, do Palmeiras, avaliados em 15 milhões de euros cada um.

“A presença de estrangeiros atuando no Campeonato Brasileiro soma para a visibilidade e qualidade técnica da liga. O Brasil reúne grandes clubes, estádios cheios, visibilidade global e um nível técnico cada vez mais alto. Nossos jovens da base também mostram que nosso talento está no DNA. Dessa forma, juntar o que já temos com mais qualidade eleva nossa competição e nosso produto a novos universos”, afirma Marcelo Teixeira, presidente do Santos.

Entre os times com mais jogadores de fora do país, a lista é encabeçada pelo Botafogo, com 14, Fluminense, com 12, Grêmio, com 11, e Athletico-PR, Remo e Internacional, com 10, e São Paulo, Vasco, Flamengo e Atlético-MG, com 9.

“Nos últimos anos, o futebol brasileiro deixou de ser apenas um exportador de talentos e passou a se posicionar também como um mercado estratégico dentro da cadeia global do esporte. Hoje, os clubes estão mais organizados, as competições mais estruturadas e a exposição internacional muito maior. Isso faz com que o Brasil se torne uma vitrine atrativa para atletas de diferentes países, que enxergam aqui com petitividade, visibilidade e potencial de valorização”, afirma Alexandre Frota, CEO da FutPro Expo, evento inédito direcionado para negócios no futebol.

“O Brasil voltou a ser uma vitrine atrativa. Clubes daqui têm conseguido oferecer bons contratos e uma projeção esportiva que não deixa de ser estratégica. Para muitos atletas jovens, ficar ou retornar significa jogar em alto nível, estar mais próximo da seleção e ainda garantir segurança financeira, algo que, no passado, só o futebol europeu parecia proporciona”, acrescenta Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, especializada no gerenciamento da carreira de atletas.

Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports Brazil, que gerencia a carreira de centenas de atletas, deixa claro que existe uma demanda real por qualidade competitiva, mas ela é amplificada pela regra que facilita a entrada de estrangeiros e pelos fatores financeiros e de visibilidade do mercado brasileiro.

“É o resultado de uma combinação de competitividade com aproveitamento de oportunidade de mercado. A busca por um campeonato mais competitivo, por títulos continentais e resultados imediatos fez com que o Brasil olhe mais para fora, e o lucro pela valorização de jogadores estrangeiros é na maioria das vezes muito maior que dos brasileiros”, explica.

Para Casseb, um detalhe importante a ser colocado é a visibilidade que o Brasil fornece a esses atletas sul-americanos. Segundo ele, ao contrário das principais ligas europeias, o Brasil não é o destino final de grande parte deles.

“O Brasil é, na maioria das vezes, o mercado intermediário, principalmente os que fazem sucesso por aqui. Outro fator importante é que o Brasil proporcionalmente não paga tão alto pelos jogadores sulamericanos como na Premier League, por exemplo, facilitando a venda deles. Os grandes brasileiros não tem tantos concorrentes no continente quanto os ingleses, que competem com clubes como Real Madrid, Barcelona, Bayer, PSG, entre muitos outros.”

Com experiência de mais de 20 anos no mercado de transferências de atletas, Casseb também entende muitos jogadores sul-americanos alegam que atuar no Brasil é uma boa oportunidade de chegarem às suas respectivas seleções.

“Eu diria que, dentro do ecossistema sulamericano, não é exagero afirmar que o Brasil hoje exerce um papel semelhante ao da Premier League em relação à Europa periférica. Ele atrai, desenvolve, expõe e vende melhor. Um exemplo é que o Brasileirão teve mais jogadores convocados na seleção do Uruguai do que a própria liga inglesa em determinado momento das Eliminatórias, mostrando que atuar no país dá relevância futebolística continental”, diz.

Para Moises Assayag, especialista em finanças no esporte, especialmente nas áreas de reestruturação financeira e operacional, o futebol brasileiro passa por uma profunda e silenciosa transformação, passand a competir com o futebol europeu ao trazer alguns nomes importantes que vinham atuando no futebol europeu, liderados, é verdade, por uma parcela de clubes com maior poderio financeiro.

“Vem nos últimos anos em um ímpeto positivo de forte crescimento em termos de investimentos e valores movimentados. Em termos de valores de transferências de jogadores para ou dentro do mercado local, o salto acontece a partir da primeira janela de 2024. Os motivos são, principalmente, o amadurecimento das SAFs, reguladas menos de 2 anos, ou 4 janelas de transferências antes a enorme injeção de investimento das bets no mercado, que permitiu a maior profissionalização da gestão dos campeonatos em andamento, permitindo o crescimento das receitas de TV, que também contribuíram para mudar o patamar de movimentação de recursos financeiros do futebol brasileiro”, diz.

Na atual janela de transferências, os clubes da elite do Campeonato Brasileiro gastaram 245 milhões de euros (R$ 1,4 bilhão) com reforços, ficando atrás apenas da sempre soberana Premier League, da Inglaterra, que até o momento desembolsou 453,1 milhões de euros em contratações, de acordo com o Transfermarkt.

Abaixo do Campeonato Brasileiro, aparecem a Série A Itália (243,5 milhões de euros), MLS (186,2 mi de euros), Liga Saudita (147,7 mi de euros), Superliga Turquia (125,2 mi de euros), Bundesliga Alemanha (106,9 mi de euros), Ligue 1 França (102,1 mi de euros) e La Liga Espanha (75,5 mi de euros).

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