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Alta dos juros no Japão impacta investidor e mercado financeiro

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Alta dos juros no Japão impacta investidor e mercado financeiro

O Japão, conhecido como o país dos juros próximos de zero ou até mesmo negativos, vive uma mudança histórica em sua política monetária. 

Com a inflação voltando a ganhar força após anos de deflação, o Banco do Japão elevou a taxa de juros ao maior nível dos últimos 31 anos, de 0,75% para 1%, com o objetivo de conter as pressões inflacionárias decorrentes do choque energético provocado pela guerra.

Em 2024, uma primeira alta de juros surpreendeu investidores e provocou turbulências ligadas ao carry trade, estratégia na qual recursos captados em países com juros muito baixos são direcionados para mercados com retornos mais elevados. 

Bernardo Pascowitch, apresentador da Resenha do Dinheiro, observa que o cenário possui uma tendência global de valorização da renda fixa. 

“É um momento cada vez mais propício para títulos de renda fixa, especialmente os títulos soberanos, que são emitidos pelos governos”, afirma. 

Com rendimentos mais elevados oferecidos por ativos considerados seguros, parte dos investidores tende a reduzir a exposição à renda variável.

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Segundo Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, o país asiático passou décadas enfrentando os efeitos de uma forte desalavancagem após o estouro de bolhas econômicas e financeiras.

“Muitas pessoas usavam o Japão como estudo de caso para mostrar o que não fazer em termos de política monetária, alavancagem e crescimento econômico. Mas o cenário mudou após a pandemia de Covid-19, quando a economia voltou a acelerar e a inflação reapareceu, acompanhando um movimento que atingiu diversas economias ao redor do mundo”, explica.

O contexto não se limita ao Japão. A recente alta de juros em economias desenvolvidas, como países da Europa, e a possibilidade de novos aumentos nos Estados Unidos ampliam a concorrência por capital global. 

Além dos impactos sobre os mercados financeiros internacionais, os efeitos também chegam ao Brasil. A movimentação de capital entre países influencia diretamente o comportamento dos ativos brasileiros, avalia Thiago Godoy, educador financeiro.

“Quando há migração de capital, isso afeta todo o sistema financeiro global. O que acontece no Japão não muda apenas para os japoneses. É um movimento geral de aumento dos juros e isso também impacta o Brasil”, ressalta.

Outro fator observado pelos analistas é o efeito da política japonesa sobre o mercado de títulos públicos dos Estados Unidos, as Treasuries.

Marilia explica que o Banco do Japão tem vendido parte desses ativos para fortalecer sua própria moeda, o iene, movimento que contribui para pressionar os juros de longo prazo da dívida americana.

Além disso, os reflexos já foram sentidos por investidores ao redor do mundo.

“Investidores com posições em títulos prefixados de longo prazo nos Estados Unidos sofreram com a marcação a mercado. São movimentos que parecem distantes, mas acabam afetando investidores globalmente”, complementa.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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