A ocorrência de terremotos quase simultâneos em diferentes partes do mundo é apontada por geocientistas como uma coincidência estatística, sem causalidades científicas.
O fenômeno que gerou questionamentos sobre estarem conectados ou não e chamou atenção da população global foi gerado por abalos sísmicos, considerados fortes e que ocorreram ao mesmo tempo e em regiões distantes, como Venezuela, Japão e Califórnia.
Segundo especialistas, na Venezuela ocorreram dois terremotos em sequência e de grande impacto, que tinham cerca de 10 a 13 quilômetros de profundidade. Já no Japão, o terremoto estava relacionado às zonas de subducção das placas tectônicas, com uma placa remontando sobre outra.
“Os três terremotos que aconteceram ontem, foram uma coincidência. Cerca de 50 terremotos ocorrem todos os dias no mundo, com uma magnitude superior a 4.0 na escala Richter. Então, a ocorrência de terremotos ao mesmo tempo é muito grande. Não existe evidência científica de que um terremoto tenha ligação com o outro, porque eles estão em placas tectônicas absolutamente diferentes”, afirma o Fernando Augusto Saraiva, pesquisador do Instituto de Geociências da USP.
Apesar de distantes, o tremor que ocorreu na Venezuela também pôde ser sentido em Manaus, na região norte do Brasil.
O diretor adjunto de Valorização Profissional do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo), Lucas Furlan explica que é difícil
“O que acontece é que, houve uma coincidência do dia, e dificilmente um abalo sísmico que aconteceu na Venezuela possa desencadear, por exemplo, um tremor no Japão, como foi o caso. São locais que estão a muitos milhares de quilômetros de distância, em sistemas tectônicos, ou seja, encontros de placas tectônicas bastante distintos e distantes.”

Dificuldades nas previsões
Atualmente, não existem tecnologias capazes de prever precisamente e de maneira científica o dia, hora, local exato e magnitude de um terremoto com dias ou semanas de antecedência.
Isso porque os abalos acontecem quando tensões acumuladas em falhas geológicas são liberadas de forma súbita na crosta terrestre, que é uma estrutura altamente complexa e que não emite sinais precursores confiáveis.
Tremores pequenos e prévios, como alterações no nível das águas subterrâneas, deformações milimétricas em terrenos ou emissões de gás radônio são estudados, mas ocorrem sem que um grande sismo aconteça.
Engenheiros e geocientistas focam no mapeamento de áreas de risco, no monitoramento em tempo real e na mitigação de danos.
Inteligências artificiais também estão sendo utilizadas para detectar microtremores imperceptíveis e para o reconhecimento de padrões em grandes volumes de dados sísmicos, com intuito de aprimorar os sistemas de alertas precoce.
*Sob supervisão de Thiago Félix

