O diretor de Política Econômica do BC (Banco Central), Paulo Picchetti, disse nesta quinta-feira (25) que os efeitos do conflito no Irã e do El Niño na inflação são “insensíveis” às decisões da política monetária. Ele comparou os choques da guerra e do fenômeno climático a um hematoma que precisa de tempo para se desaparecer.
No comunicado da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), o Banco Central sinalizou que ficou “evidente” uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028.
De acordo com o colegiado, o cenário da inflação se deteriorou no intervalo das reuniões de abril e maio.
“O nosso olhar para o trimestre de 2028 foi ver que naquele cenário tem esse componente de choque de oferta que é insensível a política monetária. Ou seja, se a gente dobrasse ou triplicasse a Selic, não íamos abrir o estreito de Ormuz ou fazer El Niño mudar de ideia e deixar de nos visitar esse ano”, disse Paulo.
O diretor reiterou que o BC segue perseguindo o chamado “horizonte relevante” da política de juros, isto é, o último trimestre de 2027. Ele destacou que o Comitê de Política Monetária não “alongou” o horizonte ao enfatizar o trimestre de 2028.
“É como um hematoma. Você leva uma pancada e fica roxo. Esse roxo tem a sua dinâmica, sua inércia. Não tem muito o que você pode fazer no caminho para tirar ele, não tem um remédio que pode tomar. Um dia ele vai embora, se não aparecer outro choque”, disse o diretor ao comparar os choques de oferta a um “hematoma”.
A autoridade monetária tem o objetivo de fazer convergir a inflação para o centro da meta, que é de 3% com intervalo de tolerância que varia de 1,5% a 4,5%.

