A apreensão de uma pistola Glock 9 mm de Jair Bolsonaro (PL) gerou incômodo e irritação na PGR (Procuradoria-Geral da República). Segundo apuração do analista de Política da CNN Teo Cury, o episódio surpreendeu pessoas próximas ao ex-presidente, o STF (Supremo Tribunal Federal) e, especialmente, o entorno do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O ministro do STF Alexandre de Moraes acionou a PGR e concedeu prazo de 48 horas para que a Procuradoria se manifeste sobre se a descoberta da arma configura falta grave no cumprimento da prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro.
A decisão sobre o futuro do regime prisional — se ele permanece em casa, retorna à Papuda ou é transferido para outro local — depende do parecer da Procuradoria.
Surpresa e descontentamento na Procuradoria
Teo Cury afirmou que, ao conversar com pessoas próximas ao procurador-geral que atuam diretamente no caso, constatou “um incômodo e uma irritação com a descoberta dessa arma“.
O analista destacou que o episódio “não estava no radar dos investigadores” e que, apesar de não haver nenhuma determinação prévia para entrega de armas, a descoberta trouxe à tona um claro descontentamento na Procuradoria.
Bolsonaro já prestou esclarecimentos à polícia, em depoimento que durou cerca de cinco minutos, e seus advogados também se manifestaram por meio de nota, ambos na mesma linha.
Agora, aguarda-se o posicionamento formal da PGR sobre se a apreensão da pistola representa ou não uma violação das condições da prisão domiciliar.
Contexto político e prazo para decisão
O episódio ocorre em um momento delicado para o bolsonarismo. Com Bolsonaro cumprindo prisão domiciliar com uma série de restrições, a organização política ficou nas mãos de Flávio Bolsonaro (PL) e de uma equipe próxima ao ex-presidente, com participação também de Michelle Bolsonaro (PL).
A situação se complica diante de uma briga pública entre Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio nas redes sociais, expondo tensões internas no campo bolsonarista.
O desfecho da questão judicial deve depender dos prazos da defesa e da Procuradoria. “Se a defesa responder um pouco antes, a Procuradoria também pode responder um pouco antes”, disse Teo Cury. A expectativa é de que a posição definitiva da PGR e a decisão de Alexandre de Moraes sejam conhecidas nos próximos dias.

