O governo brasileiro não deve enviar representantes à audiência pública marcada para o dia 6 de julho, convocada para discutir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos.
A ausência do governo federal no evento levanta questionamentos sobre o impacto dessa decisão nas negociações em curso entre os dois países.
José Pimenta, colunista do CNN Money, avaliou que a decisão do governo brasileiro de não realizar uma sustentação oral na audiência pública é uma escolha institucional, mas ressaltou que os diálogos bilaterais já vêm ocorrendo há pelo menos um ano.
Segundo ele, o USTR — autoridade representante comercial dos Estados Unidos que conduz a investigação — mantém reuniões constantes com o governo brasileiro desde o ano passado, tendo inclusive intensificado essas negociações nos últimos meses.
Para José Pimenta, o foco desta etapa da investigação recai, sobretudo, sobre o setor privado.
“Esse período da investigação é mais técnico, voltado para que o setor privado esteja lá, envie manifestações por escrito”, afirmou.
Diversas empresas e entidades brasileiras que atuam nos Estados Unidos já sinalizaram presença na audiência do dia 6 de julho.
O colunista destacou que o setor produtivo brasileiro precisa demonstrar o quanto os produtos exportados são insubstituíveis no mercado norte-americano, especialmente diante da ausência de produção doméstica equivalente nos Estados Unidos.
Setor privado americano também defende relações com o Brasil
A Chamber — descrita como a maior câmara de comércio do mundo — também deve marcar presença na audiência, posicionando-se em defesa das relações comerciais com o Brasil.
José Pimenta explicou que a entidade tem como objetivo proteger os interesses do setor privado norte-americano, e que a aplicação de tarifas elevadas prejudicaria diretamente o consumidor e o setor produtivo dos Estados Unidos.
“Estamos falando de um comércio de US$ 80 bilhões, bem estabelecido, extremamente consolidado, em que o Brasil abastece pontos fundamentais da economia norte-americana em diversos setores”, disse.
Entre os produtos brasileiros citados como relevantes para a economia americana estão máquinas, equipamentos, café solúvel, produtos do agronegócio utilizados como insumo industrial, madeira, móveis, pescados, celulose e papel.
Pimenta lembrou ainda que a investigação, enquadrada na chamada Seção 301, abrange uma lista ampla de temas, incluindo comércio digital, meios de pagamento — como o Pix —, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
Segundo ele, não é possível hierarquizar esses itens por ordem de risco, mas a preocupação central dos Estados Unidos neste momento é o impacto inflacionário que as tarifas podem gerar internamente.

