A produção de petróleo no pré-sal brasileiro atingiu o recorde histórico de 3,7 milhões de barris por dia, representando um crescimento de mais de 12% em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados pela nova edição do Anuário do Petróleo no Rio, lançado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro).
Em entrevista ao CNN Money, Karine Fragoso, gerente-geral de petróleo, gás, energias e naval da entidade, destacou que os números apresentados no anuário têm foco na produção originada no estado do Rio de Janeiro.
“Esses 3,7 milhões de barris por dia é o que a gente vem alcançando hoje a partir do Rio de Janeiro”, afirmou.
Segundo a especialista, a produção brasileira total é ainda maior: quando somada ao gás, o país já ultrapassa os 5 milhões de barris de óleo equivalente por dia.
“A gente já está ali entre o sétimo e o sexto maior produtor de petróleo e gás conjugado”, disse.
Fragoso ressaltou ainda que a ausência de instabilidade política, a estabilidade institucional e a inexistência de restrições logísticas relevantes tornam o país atrativo tanto para investimentos em produção quanto como fornecedor de óleo cru para o mercado internacional.
O óleo do pré-sal, mais leve e produzido com menor emissão de carbono, é negociado acima da média do mercado. “Se a gente está olhando para um Brent a 100, pode ter certeza que o preço que está sendo pago pelo óleo brasileiro é maior do que aquele valor ali”, explicou.
Alerta sobre reservas e necessidade de exploração
Apesar do desempenho recorde, Fragoso fez um alerta importante: o ritmo de consumo das reservas já descobertas e comprovadas está avançando mais rapidamente do que a descoberta de novas jazidas.
“A gente está acelerando o consumo dessas reservas já descobertas, já comprovadas, provadas, e não estamos acelerando na mesma velocidade na descoberta e na comprovação de novas reservas para o Brasil”, afirmou.
Para ela, é fundamental avançar em novos poços exploratórios em outras bacias além das águas fluminenses, a fim de garantir o protagonismo do país por um período mais prolongado.
Nesse contexto, Karine Fragoso também destacou a importância de um processo de licenciamento ambiental claro e previsível. “A gente precisa ter um processo que seja claro e previsível para que a indústria possa se preparar para responder adequadamente ao processo”, disse.
O anuário traz um artigo específico sobre a nova lei ambiental e seus desdobramentos para o setor.
Petróleo e transição energética não são antagônicos
Questionada sobre a possível contradição entre a expansão da produção de petróleo e a agenda de descarbonização, a gerente-geral da Firjan foi categórica ao rejeitar o antagonismo entre as duas pautas. Para ela, antes de se discutir transição energética, é preciso avançar em eficiência energética.
“O petróleo tem aplicações que outros energéticos, que outros produtos não têm”, argumentou, citando a petroquímica, os fertilizantes e toda a cadeia do plástico como exemplos de setores que dependem do insumo.
A especialista defendeu ainda o conceito de integração energética, segundo o qual diferentes fontes devem cooperar entre si. Ela mencionou pesquisas em andamento na área de energia solar e um projeto de eólica offshore em desenvolvimento no Rio Grande do Norte como exemplos dessa integração.
“Eficiência energética, integração energética, uma fonte não pode ser inimiga da outra, elas têm que cooperar”, concluiu Karine Fragoso.

