O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu nesta quarta-feira (24) que o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixe o cargo de líder do governo no Senado. Ao ser questionado sobre a atual situação do parlamentar, Marinho apontou que, na posição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), substituiria o senador.
“É uma avaliação que o presidente Lula vai fazer, mas eu optaria em substituir. Mas aí o presidente Lula conversa com ele, mas registrando que é uma liderança que eu pessoalmente prezo, do maior respeito”, afirmou durante a divulgação do Rais (Relação Anual de Informações Sociais) mensal.
Jaques Wagner foi alvo, na última quinta-feira (19), da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga as suspeitas de fraudes do Banco Master. Agentes da PF (Polícia Federal) cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar e familiares em Salvador, Brasília e São Paulo.
Marinho disse que ligou para o senador no dia posterior à operação no sentido de prestar solidariedade. No entanto, apesar de demonstrar admiração e respeito a Wagner, a avaliação do ministro é que o afastamento do cargo seria o mais apropriado para garantir um foco na defesa.
“Tem momentos em que as pessoas têm que deixar sua posição para se defender, ter mais condições de atuar do que ficar ali na posição que está exercendo. Eu estou falando uma avaliação pessoal minha. Então, de repente se justifica deixar a liderança e o presidente nomear outra liderança, mas quem decide é o presidente na conversa com o líder Jaques Wagner”, completou.
O presidente Lula deve se reunir com o senador nesta quarta-feira para definir o futuro do líder do governo em seu posto. Segundo apurou a CNN Brasil, a avaliação atual é que dificilmente Jaques Wagner será mantido na liderança do governo, considerado o alto desgaste político causado pela operação da PF da última semana.
Defesa de Jaques pede anulação de operação
A defesa do senador acionou o STF (Supremo Tribunal Federal) na segunda-feira (22) para pedir a anulação da operação da PF contra o parlamentar.
Os advogados de Jaques afirmam que houve “erros graves que comprometem a medida”. O principal argumento da equipe de defesa é de que — diferentemente do que sugere a investigação — o político não teria atuado em favorecimento do Master no Congresso Nacional.
Um dos momentos de suposto favorecimento, segundo a investigação, teria se dado durante a tramitação de MP (Medida Provisória) que aumentava o limite de crédito consignado para a maior parte dos assalariados.
A defesa de Jaques sustenta que a emenda apresentada por ele ao texto contrariava os interesses do banco ao “limitar juros e proteger consumidores”.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder

