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Taxas de DIs curtas caem e longas sobem após ata do Copom

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Taxas de DIs curtas caem e longas sobem após ata do Copom

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo operam com baixas nesta manhã de terça-feira (23), enquanto as longas têm ​leves altas, com investidores reagindo à ata do último encontro do ​Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que reforçou sua intenção de atingir a meta de inflação apenas no primeiro trimestre de 2028.

Às 9h58, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,185%, em baixa de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,217% da sessão anterior.

Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,55%, com alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 14,52%.

No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– ⁠caía 1 ponto-base, a 4,493%.

Na segunda-feira (22), as taxas futuras ​haviam caído após o Tesouro Nacional cancelar o leilão regular de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) previsto para ​esta terça-feira.

O cancelamento foi visto pelo mercado como uma tentativa do órgão de reduzir a pressão de alta recente das ⁠taxas futuras, em especial entre os vencimentos mais longos.

Nesta manhã, porém, ⁠as taxas longas dos DIs voltaram a operar em alta, na esteira da ata do encontro do ​Copom, ‌que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25%.

No documento, o colegiado reiterou que sua atual projeção de inflação ⁠para o quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante — está em 3,7%, acima do centro da meta de inflação, de 3%.

O BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria, na sequência, a inflação ficar abaixo desse ‌nível ⁠por diversos trimestres seguidos.

Em ‌função disso, o Copom julgou como mais adequadas trajetórias de Selic “menos discrepantes”, com combinações de “momentos de pausa” e “retomada do ciclo de calibração” da taxa básica, com a inflação “convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”.

A reação dos agentes ao documento até o momento é cautelosa.

Para o ⁠economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, a ata confirmou o cenário adverso ⁠para a política monetária, mas o BC “justificou o injustificável, confirmando que está confortável em não cumprir o seu mandato no horizonte habitual”.

“Entendo que o BC até quis ‌ser hawk (duro com a inflação) na ata, mas acabou confirmando que segue dove (brando) e confortável em não entregar o seu mandato”, acrescentou, referindo-se à meta de inflação.

Já o analista de inteligência de mercados da StoneX, Leonel Oliveira Mattos, afirmou que é possível que o comunicado da semana passada não tenha sido suficientemente claro quanto à estratégia do BC de retorno da inflação à meta um ‌trimestre depois.

“Agora, resta saber se a ata será capaz de reduzir parte do mal-estar observado nos mercados.”

Neste cenário, a curva brasileira exibia nesta manhã movimento semelhante ao visto na semana passada, após o comunicado do Copom, com as taxas curtas caindo e as ⁠longas subindo — ainda que as variações sejam bem menores.

Por trás do movimento está a percepção de que o BC poderá, de fato, promover mais cortes da Selic no curto prazo, o que demandaria juros mais altos no longo prazo para conter a inflação.

Na última sexta-feira (19) — ​atualização mais recente — a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 68,50% de chance de manutenção da Selic em agosto, contra ​26% de chance de corte de 25 pontos-base.

Na terça-feira passada (16) , antes da decisão do Copom, havia 58% de probabilidade de manutenção, contra 38% de chance de corte de 25 pontos-base.

No exterior, os agentes seguem atentos nesta terça-feira às negociações de paz entre EUA e Irã e operando sob a perspectiva de que o Federal Reserve poderá ‌elevar os juros ainda este ano.

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