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Análise: Banco Central reforça Selic alta após reduzir juros

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 2 horas)
Análise: Banco Central reforça Selic alta após reduzir juros

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou nesta terça-feira (23) a ata de sua última reunião, na qual detalhou a decisão de reduzir a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano. O documento, no entanto, reforçou que o cenário econômico atual exige a manutenção dos juros em patamar elevado por um período prolongado.

Durante o Bastidores CNN desta terça, o analista de Economia Gabriel Monteiro elencou três destaques do documento divulgado nesta terça. O primeiro diz respeito à deterioração do cenário de inflação desde a última reunião, o que, segundo a ata, requer uma política monetária contracionista, ou seja, de juros mais altos.

“A perspectiva era que [os juros] caíssem aos poucos até chegarmos a 13,25%, talvez no final do ano, mas o Banco Central ‘jogou um banho de água fria’ nos investidores, e no Brasil, dizendo que a política monetária vai ter que ser contracionista, que o juro vai ter que ser alto mesmo”, explicou Monteiro.

O segundo ponto destacado na ata refere-se à incerteza sobre os impactos da guerra e seus efeitos já materializados na economia. De acordo com Monteiro, o conflito provocou uma disparada no preço do petróleo, e o Banco Central ainda não tem clareza sobre quais efeitos serão permanentes.

“Mesmo com o acordo de paz fechado entre Estados Unidos e Irã, o período em que o petróleo ficou na casa dos US$ 100 já se transformou em inflação e já virou problema para o Brasil”, afirmou o analista. O terceiro ponto diz respeito aos impactos da política fiscal sobre a pressão inflacionária.

Monteiro explicou que, desde o início de 2026, em ano eleitoral, diversas medidas de estímulo foram adotadas pelo governo federal, como o aumento das faixas do Minha Casa Minha Vida, planos de financiamento para carros e reformas, o programa Desenrola e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.

“Tudo isso é interpretado pelo Banco Central como estímulo ao consumo, estímulo fiscal. Isso faz com que a economia volte a aquecer, e com economia aquecida, a gente tem a consequência da inflação“, disse o analista.

Monteiro explicou ainda que o Banco Central realizou estudos de cenários alternativos. A conclusão do BC foi que, caso os juros permanecessem em 14,5% ou acima disso, a meta de inflação de 3% seria cumprida somente em 2028.

“A gente ia ficar vários e vários trimestres seguidos com a inflação abaixo da meta, e isso, para o Banco Central, não foi o ideal. Por isso, a decisão foi cortar os juros e manter a porta aberta para a próxima reunião, daqui 45 dias”, concluiu Monteiro.

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