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Mesmo com Plano Safra, produtores precisarão reorganizar passivos, diz Agre

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Mesmo com Plano Safra, produtores precisarão reorganizar passivos, diz Agre

A expectativa do setor agropecuário em torno do Plano Safra, que deve ser anunciado em 1º de julho, não elimina desafios, como o aumento do endividamento, a pressão sobre o fluxo de caixa das propriedades e as dificuldades de acesso ao crédito em um ambiente de maior seletividade por parte das instituições financeiras.

Embora o volume de recursos e as condições de financiamento sejam acompanhados de perto por produtores e agentes do mercado, a fintech Agree avalia que a ampliação da oferta de crédito, por si só, não é suficiente para solucionar os gargalos financeiros enfrentados por parte do setor.

A capacidade de pagamento, a qualidade das informações apresentadas aos credores e a estrutura de endividamento das propriedades continuam sendo fatores decisivos para a contratação de novos financiamentos e para o planejamento das próximas safras.

Segundo a empresa, cresce a demanda por iniciativas voltadas à reorganização financeira, renegociação de passivos e planejamento de médio prazo das operações rurais.

Em um ambiente de crédito mais restritivo, empresas do setor financeiro passaram a ampliar a oferta de serviços voltados ao planejamento e à renegociação de passivos, antes que o desequilíbrio das contas se agrave.

Dados da Serasa Experian mostram que a taxa de inadimplência da carteira agro alcançou 8,2%, enquanto os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais cresceram quase 51% no acumulado de 2025.

Nesse cenário, a fintech decidiu lançar um Programa de Reestruturação Financeira para produtores com elevado nível de endividamento, concentração de vencimentos, dificuldades de caixa ou limitações para acessar novas linhas de financiamento.

“O produtor rural tem enfrentado um ambiente cada vez mais desafiador. Em muitos casos, existe patrimônio, capacidade produtiva e potencial de crescimento, mas a falta de organização financeira acaba comprometendo a tomada de decisão e o acesso a oportunidades de crédito”, afirmou, em nota, Victor Lemos Cardoso, head comercial da Agree.

Com duração de seis meses, o programa reúne mais de 30 serviços técnicos e consultivos. A primeira etapa prevê um diagnóstico detalhado da situação financeira da propriedade, incluindo consolidação de dívidas bancárias, levantamento de passivos, análise contratual, avaliação de riscos patrimoniais e fundiários, mapeamento de garantias e seguros.

Na segunda etapa, é elaborado um plano de reequilíbrio financeiro, com projeções de fluxo de caixa, cálculo da capacidade de pagamento, simulações de cenários, definição de prioridades para liquidação de passivos e planejamento alinhado ao calendário produtivo.

Para a sequência de etapas, a fintech aposta no uso de inteligência artificial própria a fim de cruzar dados e prever riscos.

Segundo Cardoso, a demanda por esse tipo de assessoria aumentou à medida que instituições financeiras passaram a exigir informações mais detalhadas.

Nos últimos anos percebemos que muitos produtores não precisavam necessariamente de mais crédito, mas sim de uma reorganização financeira capaz de restabelecer a previsibilidade do negócio, destacou a Agree.

Fundada em 2022, a fintech já participou da estruturação de operações que somam mais de R$ 2 bilhões em crédito para o agronegócio.

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