A Agree, fintech voltada ao crédito rural, acaba de estabelecer a meta de atuar na reestruturação de até R$ 5 bilhões em dívidas do agronegócio até o fim de 2026 com análises que serão feitas a partir de inteligência artificial para antecipar negociações antes que produtores recorram à recuperação judicial.
O valor total deverá ser destinado para ampliar o Programa de Reestruturação Financeira, que a startup criou recentemente para produtores com dificuldades de caixa, vencimentos concentrados e passivos espalhados em diferentes instituições.
À CNN Agro, a startup contou que a estratégia ocorre em um momento de deterioração dos indicadores de crédito do setor, principalmente em razão do endividamento.
A inadimplência das operações rurais contratadas por pessoas físicas encerrou o primeiro trimestre de 2026 em 7,4%, mais que o dobro do patamar de 2,9% observado no mesmo período do ano anterior, segundo dados do Banco Central.
Como funciona a análise?
A empresa afirma que a ferramenta utiliza inteligência artificial para consolidar informações da propriedade, mapear dívidas, cruzar contratos e simular cenários de fluxo de caixa, permitindo a elaboração de um plano de reorganização financeira em até dois dias.
“O produtor rural passou os últimos anos convivendo com aumento de custos, oscilações climáticas e maior dificuldade de acesso ao crédito. Em muitos casos, a dívida não está concentrada em um único credor, o que torna o planejamento ainda mais complexo”, afirma Thays Moura, cofundadora da Agree.
Até agora, a fintech já operou R$ 2 bilhões em estruturação de dívidas desde sua criação, em 2022.
Segundo a Agree, a atuação preventiva tende a ganhar relevância em um ambiente de juros ainda elevados e maior rigor das instituições financeiras na avaliação de risco.
“Quanto antes o agricultor consegue organizar sua operação e negociar de forma estruturada, maiores são as chances de preservar a atividade e recuperar a capacidade de pagamento sem recorrer a medidas judiciais“, afirma a executiva
O movimento ocorre em meio ao aumento da demanda por mecanismos de reorganização financeira no campo.
Além das renegociações privadas, o governo federal lançou iniciativas como o Desenrola Rural, programa voltado à regularização de débitos de agricultores familiares e produtores inadimplentes, numa tentativa de recompor a capacidade de acesso ao crédito.

