O ex-canoísta olímpico dos EUA, David Hearn, afirmou à CNN que foi preso pela polícia após tocar em um pedaço de tecido azul que se desprendeu parcialmente do espelho d’água do Lincoln Memorial, em Washington.
Hearn, que representou os Estados Unidos em três edições dos jogos olímpicos, disse que um funcionário do Serviço Nacional de Parques o advertiu para não colocar a mão na água antes de ser algemado pela Polícia do Parque.
Ele negou ter vandalizado a piscina e disse que estava apenas curioso. Sua primeira audiência está marcada para 9 de julho.
O local foi reaberto no início deste mês após uma reforma multimilionária.
Um porta-voz do Departamento do Interior informou à CNN que cinco pessoas foram presas por vandalismo, enquanto outras cinco receberam intimações federais. Quatorze boletins de ocorrência foram registrados por vandalismo, disse o porta-voz.
“A Polícia do Parque Nacional continuará a cumprir seu dever primordial de manter a lei e a ordem na capital do país”, acrescentou o porta-voz.
A Polícia do Parque Nacional não respondeu na segunda-feira a novas perguntas, incluindo sobre a identidade das pessoas acusadas de vandalizar a piscina.
Acusações graves
O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu nestaa segunda-feira (22) que aqueles que ele acusou de vandalizar o recém-renovado, e agora em rápida deterioração, espelho d’água no National Mall enfrentem acusações criminais graves que podem resultar em longas penas de prisão.
Em uma publicação no Truth Social, o presidente lamentou o estado do espelho d’água, que, segundo ele, foi “vandalizado”.
“Lembrem-se de que há uma pena de 10 anos de prisão para a destruição, ou mesmo a tentativa de destruição, de tais coisas – e que será rigorosamente aplicada!”, escreveu o presidente americano.
Embora os promotores em Washington ainda não tenham apresentado acusações formais, o Departamento de Justiça precisará decidir nos próximos dias com que rigor perseguirá as pessoas que foram presas e autuadas no fim de semana, enquanto a camada azul do fundo do espelho d’água se desprendia.
A recente reforma de US$ 14 milhões é um dos muitos projetos arquitetônicos na capital do país que Trump impulsionou.
Enquanto isso, membros da Guarda Nacional, da Polícia do Parque e outras forças de segurança estavam presentes ao redor do espelho d’água na segunda-feira.
As infrações citadas pela Polícia do Parque Nacional dos EUA, pelo menos inicialmente, são contravenções no Tribunal Superior de Washington por vandalismo, conduta desordeira ou danos à propriedade pública.
Mas a publicação de Trump sugeriu que os casos poderiam ser classificados como crimes mais graves se a Procuradora dos EUA, Jeanine Pirro, assim o entender.
O gabinete do procurador dos EUA para o Distrito de Columbia afirma que ainda está analisando algumas das notificações emitidas no fim de semana, mas ainda não apresentou nenhuma acusação formal.
Em entrevista à Fox News fim de semana, Pirro disse que aqueles que vandalizaram ou tentaram vandalizar o lago “enfrentarão o sistema de justiça criminal em Washington”.
“Várias notificações foram emitidas para indivíduos, e esses casos serão processados com todo o rigor da lei”, disse Pirro.
“Se forem encontrados produtos mais nocivos despejados no lago para criar mais algas ou um problema maior, então consideraremos acusações mais graves”, acrescentou.
A destruição de propriedade pública pode ser considerada crime federal se o prejuízo for considerável. Esse tipo de acusação criminal federal acarreta uma multa máxima de até US$ 250 mil ou 10 anos de prisão, embora as penas máximas sejam extremamente raras na prática.
Embate partidário
Para os apoiadores de Trump, o vandalismo alegado pelo presidente é o exemplo mais recente de como os oponentes do republicano não medem esforços para sabotar os esforços do presidente para embelezar a capital do país.
Para os críticos do presidente, o impasse demonstra mais uma maneira pela qual Trump parece estar preocupado com seus múltiplos projetos de reforma, apesar da guerra com o Irã e dos consequentes altos preços da gasolina e dos alimentos.
Os advogados de uma organização sem fins lucrativos que processa a administração pela forma como conduziu a reforma da piscina também disseram ao juiz do Distrito de Columbia, responsável pelo caso, que a recente proliferação de algas e o descascamento do fundo reforçam a necessidade de ele exigir que a administração siga certos procedimentos que têm sido ignorados para concluir a reforma rapidamente.
“O público está testemunhando o que acontece quando, em vez disso, as agências seguem em frente com planos mal concebidos de forma precipitada para cumprir um prazo arbitrário imposto pela Casa Branca”, escreveram os advogados em documentos judiciais apresentados na segunda-feira.
“Enquanto os réus decidem como sair do problema que eles mesmos criaram e restaurar a Piscina Refletora, eles podem e devem fazer o que a lei exige: consultar especialistas e o público e tomar uma decisão informada sobre o que é melhor com base nas consultas obrigatórias por lei, em vez de, mais uma vez, seguir em frente às pressas com ideias mal elaboradas”.
A posição de Trump sobre a destruição de propriedade federal também contrasta com o indulto concedido por ele a mais de mil participantes da insurreição de 6 de janeiro de 2021 – incluindo aqueles que vandalizaram o Capitólio dos EUA – em um dos primeiros atos oficiais de seu segundo mandato.
Na mesma publicação de segunda-feira, o presidente, sem apresentar provas, afirmou que havia um “corte” de 90 metros na piscina e produtos químicos “colocados ilegalmente” na água. Trump havia dito anteriormente que o corte tinha 75 metros de comprimento.
Como noticiado pela CNN, funcionários do Serviço Nacional de Parques despejaram galões de peróxido de hidrogênio na piscina na semana passada para ajudar a combater um problema de algas que afetava o local.
Trump também reclamou de uma enorme inscrição com o número “8647” que foi gravada em um pedaço de grama perto da Piscina Refletora no início deste mês.
O governo Trump interpretou essa inscrição como uma ameaça à vida do presidente, enquanto seus oponentes dizem que ela serve apenas para sinalizar oposição ao 47º presidente.

