A China proibiu exportações de itens de uso dual para dez empresas dos Estados Unidos, incluindo a USA Rare Earth, companhia que anunciou em abril a compra da brasileira Serra Verde, produtora de terras raras em Goiás.
A medida foi anunciada nesta segunda-feira (22) pelo Ministério do Comércio da China e faz parte da disputa entre Pequim e Washington pelo controle de cadeias estratégicas de minerais críticos, especialmente terras raras.
A decisão também atinge a MP Materials, principal produtora de terras raras dos Estados Unidos, além de empresas ligadas aos setores de defesa, drones, robótica, aeroespacial e serviços marítimos.
Segundo o comunicado chinês, exportadores ficam proibidos de vender itens de uso dual às dez companhias listadas.
A regra também impede que organizações ou pessoas de qualquer país transfiram ou forneçam a essas empresas produtos de uso dual originários da China.
O texto determina ainda que atividades de exportação em andamento sejam interrompidas imediatamente.
O comunicado não detalha quais produtos específicos estão sujeitos à restrição. A categoria de “itens de uso dual” costuma abranger bens, tecnologias, softwares e equipamentos que podem ter aplicação civil e militar.
Na prática, a medida pode atingir desde componentes eletrônicos e aeroespaciais até tecnologias de processamento, materiais estratégicos, sistemas usados em drones e insumos ligados à cadeia de terras raras, a depender do enquadramento feito pelas autoridades chinesas.
A inclusão da USA Rare Earth na lista chama atenção no Brasil porque a empresa anunciou, em abril, a aquisição da Serra Verde, dona da mina Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás. A operação foi avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões.
A Serra Verde é considerada um dos ativos mais relevantes de terras raras fora da Ásia. A empresa produz concentrado de terras raras a partir de argilas iônicas, tipo de depósito considerado estratégico por conter elementos usados em ímãs permanentes.
Esses minerais são fundamentais para motores de veículos elétricos, turbinas eólicas, drones, robôs, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e aplicações aeroespaciais.
A compra da Serra Verde pela USA Rare Earth faz parte de uma estratégia dos Estados Unidos para construir uma cadeia integrada de terras raras fora da China, da mina à fabricação de ímãs. O objetivo é reduzir a dependência americana de Pequim em um setor considerado sensível para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e a defesa.
A China domina hoje boa parte do processamento global de terras raras e tem usado controles de exportação como instrumento de pressão em meio à disputa tecnológica e comercial com os Estados Unidos.
A nova restrição ocorre em um momento de intensificação das medidas cruzadas entre as duas maiores economias do mundo. Pequim afirma que a decisão foi tomada para proteger a segurança nacional e cumprir obrigações internacionais de não proliferação.
Além da USA Rare Earth e da MP Materials, foram incluídas na lista Aveox, Red Cat Holdings, Teal Drones, IMSAR, Jaia Robotics, Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense e L3Harris Maritime Services.
A decisão adiciona mais um elemento de incerteza ao mercado global de minerais críticos e reforça a importância estratégica de projetos brasileiros de terras raras, que passaram a ser alvo de interesse crescente de governos e empresas dos Estados Unidos, da União Europeia e de outros países que buscam diversificar fornecedores fora da China.

