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Análise: Polarização virou regra, não exceção, na América Latina

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 1 hora)
Análise: Polarização virou regra, não exceção, na América Latina

A apuração preliminar do segundo turno da eleição presidencial da Colômbia indica que Abelardo de la Espriella vencerá a disputa contra o governista Iván Cepeda. Com 99,93% das urnas apuradas, de la Espriella registrava 49,65% dos votos, enquanto Cepeda conquistou 48,70% — uma diferença de menos de 250 mil votos.

O resultado reacende o debate sobre a polarização política na região. Para a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360°, o fenômeno não é recente e reflete uma dinâmica estrutural que marca o continente há décadas.

Pêndulo político e eleição da rejeição

Magnotta destacou que a América Latina tem sido marcada por ondas alternadas de poder ao longo do século XXI.

“Já teve a chamada onda rosa lá no comecinho dos anos 2000, que era a onda mais à esquerda, depois o rebote que veio com governos mais à direita, e assim de maneira pendular, a lógica vai se repetindo”, afirmou a analista.

Segundo ela, o padrão observado em diversos países é o de um eleitor que vota mais contra o lado oposto do que necessariamente a favor de propostas específicas.

“A eleição da rejeição, como a gente costuma falar no campo da ciência política”, explicou Magnotta. “O eleitor não necessariamente alinhado ou politicamente afeito ao indivíduo, mas muitas vezes insatisfeito, em busca de uma alternativa, testando o que há de diferente.”

Fatores que comprometeram a esquerda na Colômbia

A analista apontou três frentes principais que, segundo ela, comprometeram a continuidade da esquerda no país.

“É o baixo crescimento associado ao aumento da desigualdade e um elemento que sempre aparece nas eleições colombianas, a questão da insegurança”, disse Magnotta. Esses fatores teriam alimentado uma insatisfação generalizada e impulsionado a busca por alternativas políticas.

A eleição colombiana foi amplamente tratada pela imprensa local como uma espécie de referendo sobre o governo vigente. De acordo com Magnotta, o que estava em avaliação não era tanto o posicionamento ideológico do candidato governista, mas a percepção do eleitor sobre sua capacidade de entrega.

Partidos tradicionais perdem espaço

Outro fenômeno destacado pela analista é o enfraquecimento dos partidos tradicionais e o avanço de lideranças mais personalistas.

“As lideranças mais personalistas vão ganhando espaço, e mesmo aquelas que tinham tradicionalmente uma vocação mais moderada, do contexto do radicalismo político, acabam sendo comprometidas”, observou Magnotta.

Para ela, democracias historicamente estáveis da região, que antes não eram assombradas por alternâncias tão bruscas no poder, agora enfrentam esse cenário.

O resultado colombiano, segundo a analista, reforça uma tendência regional — e possivelmente global — de sociedades divididas e de governabilidade cada vez mais difícil.

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