Últimas

Operação conservadora dos reservatórios reflete percepção de risco, diz MME

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)

A decisão do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) de manter as regras atuais para a operação dos reservatórios das hidrelétricas refletiu a avaliação unânime de que o cenário ainda exige cautela para garantir o abastecimento de energia no país. 

Segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Gustavo Ataíde, pesaram na decisão tanto as preocupações com a segurança do suprimento nos próximos anos quanto a expectativa de ocorrência do fenômeno El Niño, que pode provocar alterações relevantes no regime de chuvas e afetar as condições de operação do sistema elétrico.

O debate girava em torno do chamado CVaR, parâmetro utilizado nos modelos computacionais que definem o grau de conservadorismo da operação do sistema elétrico. Na prática, ele influencia a decisão entre preservar água nos reservatórios das hidrelétricas ou aumentar o despacho de usinas termelétricas, que possuem custo mais elevado.

Durante participação no Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), promovido pelo CanalEnergia, Ataíde afirmou que, apesar dos avanços obtidos nos últimos anos para reforçar a segurança energética do país, ainda há preocupações em relação ao atendimento dos critérios de suprimento.

“Muito já foi feito, fizemos contratações importantes que trouxeram uma segurança pra gente, mas o trabalho ainda não terminou. A gente ainda tem preocupação para atender os critérios de suprimento. E, para além disso, nós estamos às vésperas de vivenciar um fenômeno climático que tende a ser de grande repercussão, que é o El Niño. Então, nessa conjuntura, a manutenção desses parâmetros de aversão ao risco me parece que é uma medida coerente”, afirmou.

A decisão ocorre após meses de discussão entre agentes do mercado. De um lado, comercializadoras, geradoras de fontes renováveis e representantes dos consumidores defendiam a flexibilização dos parâmetros, argumentando que seria possível reduzir custos com o acionamento de termelétricas e diminuir as tarifas de energia sem comprometer a segurança do sistema. De outro, geradoras hidrelétricas sustentavam que uma redução da aversão ao risco poderia deixar o país mais vulnerável em cenários hidrológicos adversos.

Segundo Ataíde, a manutenção dos parâmetros atuais não encerra o debate sobre os modelos utilizados pelo setor. O secretário-executivo afirmou que a decisão do CMSE também reconhece a necessidade de promover mudanças estruturais nas ferramentas que orientam a operação, a expansão e a formação de preços no mercado de energia.

“Precisamos desenvolver novas ferramentas, e elas precisam estar integradas entre as instituições e o setor como um todo, tanto na formação de preço quanto na expansão e na operação”, disse.

De acordo com o secretário, a atual cadeia de modelos eletroenergéticos está próxima de seu limite de capacidade para responder às transformações vividas pelo sistema elétrico brasileiro. A expansão acelerada das fontes renováveis, como solar e eólica, tem aumentado a complexidade da operação e colocado novos desafios para o planejamento energético.

A avaliação do governo é que eventuais mudanças futuras nos parâmetros de aversão ao risco deverão estar associadas à evolução desses modelos e à incorporação de novas metodologias capazes de representar com maior precisão as condições operativas do sistema.