Autoridades norte-americanas divulgaram, nesta quarta-feira (17), o texto do acordo provisório entre os Estados Unidos e o Irã. O documento, estruturado em 14 pontos, abrange temas que vão do cessar-fogo ao desenvolvimento econômico iraniano, mas chama atenção pela pouca ênfase dada ao programa nuclear do país.
De acordo com a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta ao CNN 360°, o acordo não chega a uma conclusão estruturada sobre o avanço do desenvolvimento de armas nucleares.
“O acordo não resolve o ponto nevrálgico dessa relação, que é a questão nuclear em aberto”, explica Magnotta. “Ele fala em discussão desses pontos, mas não chega a nenhum tipo de parâmetro claro”, acrescentou.
O que o acordo prevê
Entre os pontos do documento, destaca-se a previsão do fim imediato da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, com respeito à soberania e à integridade territorial.
O acordo estabelece que um acordo final deve ser alcançado em até 60 dias.
Os Estados Unidos se comprometem a retirar o bloqueio naval ao Irã, enquanto o país persa deve garantir que o tráfego marítimo retorne ao nível pré-guerra em até 30 dias.
O documento também prevê a criação de um plano de reabilitação e desenvolvimento econômico do Irã, com financiamento de US$ 300 bilhões, além do fim das sanções norte-americanas em prazo a ser definido.
Em contrapartida, o Irã se compromete a nunca produzir armas nucleares. O acordo final deverá ser aprovado por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU.
O que o acordo resolve — e o que deixa em aberto
Para Magnotta, o documento tem méritos importantes.
“Ele logo de cara interrompe a escalada militar”, pontuou, destacando que nenhum dos dois lados parecia capaz ou interessado em sustentar politicamente, economicamente e militarmente o conflito.
A analista também ressaltou a redução do risco sistêmico do ponto de vista econômico, citando os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre os preços do petróleo, do gás e a inflação global.
Do ponto de vista diplomático, o acordo cria uma janela de negociação adicional de 60 dias.
No entanto, Magnotta alertou para o que o documento deixa sem resposta.
Além da questão nuclear, o acordo não resolve as rivalidades geopolíticas na região do Oriente Médio nem elimina a desconfiança mútua entre as partes.
A analista também apontou a presença de atores regionais como Israel e Hezbollah como fatores capazes de desestabilizar todo o processo.
“A gente está diante de uma pausa na batalha, mas está longe efetivamente de um encerramento de uma guerra”, concluiu Magnotta.
Na avaliação da analista, ambos os lados têm razões para reivindicar vantagens com o acordo.
Do lado norte-americano, o documento permite declarar uma vitória política em um momento sensível, evita um choque energético global e reforça a narrativa de negociador.
Do lado iraniano, o acordo garante a sobrevivência do regime, sem qualquer menção a mudanças patrocinadas pelos Estados Unidos, além de proporcionar fôlego econômico com o afrouxamento das sanções e a liberação de ativos congelados.
Magnotta destacou ainda que o Estreito de Ormuz se tornou “um grande ativo de barganha” para o Irã nas negociações.

