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Pai de Vorcaro teve acesso ilegal a sistema da PF, aponta relatório

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Pai de Vorcaro teve acesso ilegal a sistema da PF, aponta relatório

A Polícia Federal comunicou ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta terça-feira (16) que Henrique Vorcaro, pai do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria infiltrados que atuavam a seu favor dentro da própria PF.

Em documento de inquérito preliminar tornado público pelo ministro, a PF afirma que, durante busca e epreensão na casa de Henrique, foi encontrado uma impressão de uma captura de tela do sistema Sinapse, uma ferramenta de uso exclusivo da PF. Na imagem, constava uma consulta ao nome de Augusto Conte, ex-sócio de Vorcaro.

“A referida apreensão corrobora a hipótese já apresentada nos autos, no sentido de que Henrique Vorcaro  dispunha a seu favor, no âmbito da Polícia Federal, de servidor(es) que se encontrava(m) disposto(s) a acessar, de maneira ilícita, os sistemas internos da corporação, a fim de atender seus interesses pessoais”, afirma a Polícia Federal.

As informações, bem como todo o processo que trata da atuação de Henrique Vorcaro no esquema do Banco Master, foram tornadas públicas por André Mendonça nesta terça logo após o ministro Gilmar Mendes devolver um pedido de vista e levar à discussão presencial o julgamento sobre manter ou não a prisão preventiva de Henrique.

O caso estava em análise no plenário virtual. O pedido de vista de Gilmar aumentou as expectativas por um possível empate no julgamento, o que beneficiaria o pai de Vorcaro.

Além do acesso a servidores da PF, o documento enviado a Mendonça nesta terça também agrega mensagens apreendidas em que Henrique e um funcionário de Vorcaro, o bicheiro Manoel Rodrigues, manifestam “preocupação exacerbada” com a prisão de Felipe Mourão, conhecido como Sicário.

“Manoel, a todo momento, mantém contato com Henrique Vorcaro na intenção de ambos alinharem suas teses defensivas junto a seus respectivos advogados, presumindo que serão alvos dos futuros desdobramentos da Operação Compliance Zero”, afirma a PF.

Segundo a Polícia, após a morte de Sicário, Manoel Rodrigues tentou evitar eventual colaboração de familiares de Felipe Mourão com as investigações.

A investigação mostra indícios de que tenham sido realizados ajustes envolvendo a transferência de contratos e valores queseriam devidos a Sicário, buscando assegurar o silêncio das referidas familiares quanto às atividades ilícitas praticadas pelo grupo.

De acordo com a PF, uma eventual liberação de Henrique Vorcaro e Manoel Rodrigfues da prisão ocasionaria na retomada de contatos com os demais integrantes da teia de Vorcaro e e, consequentemente, viabilizada a continuidade da atuação “notoriamente ilícita” da família.