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Distrito no Peru teve empate perfeito entre Fujimori e Sánchez; entenda

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Distrito no Peru teve empate perfeito entre Fujimori e Sánchez; entenda

Um pequeno distrito montanhoso no Peru ficou perfeitamente dividido no segundo turno das eleições presidenciais – um retrato nítido da profunda divisão que molda a política do país.

Em Lahuaytambo, 181 eleitores apoiaram a conservadora Keiko Fujimori e 181 escolheram o esquerdista Roberto Sánchez nas eleições de 7 de junho, um empate raro que reflete uma disputa nacional extremamente acirrada. Com as urnas ainda em apuração, Fujimori mantém uma vantagem estreita de 50,09% contra 49,90% de Sánchez.

O resultado perfeitamente dividido é um microcosmo do eleitorado do Peru, onde a desilusão com as elites políticas e as desigualdades gritantes entre a capital e as regiões rurais levaram a uma das eleições mais acirradas e polarizadas dos últimos anos.

Situada a quase 3.400 metros de altura e a cerca de apenas 70 km de Lima, a viagem de Lahuaytambo à capital leva horas. A maior parte do caminho é uma estrada de terra sinuosa e propensa a deslizamentos, reforçando a distância que muitos moradores sentem do centro político.

Para muitos moradores, a política caótica de Lima é uma consideração secundária, e a principal questão é quem pode proporcionar algum benefício – como estradas pavimentadas, um reservatório de água ou melhores pensões – à comunidade remota e muitas vezes negligenciada.

Candidato de primeira viagem X Veterana política

“Votei em Keiko porque acho que ela se preocupa mais com as pessoas pobres nas montanhas”, disse Jonathan Javier Medina, 29 anos, agricultor e pai de dois filhos, acrescentando que espera que o seu governo impulsione a agricultura.

Mas a sua esposa, Enma Zabaleta, acha que é mais provável que Sánchez traga mudanças em Lahuaytambo.

“(Votei em Sánchez) para ver se há uma mudança nesta cidade, para ver se ele cumpre as promessas que fez”, disse ela, expressando esperança na pavimentação de estradas e outras infraestruturas. A divisão entre o casal reflete uma dicotomia mais ampla entre os moradores.

Francisca Pumayauli, 81 anos, e Yolanda Ramirez, 76, duas aposentadas que passam as tardes conversando na praça da cidade, disseram apoiar Fujimori porque acreditam que ela ajudará crianças e idosos.

Perto dali, os lojistas Sebastian Davila e Luz Zavaleta apoiaram Sánchez, alegando desconfiança em relação a Fujimori.

Davila disse que o seu ceticismo vem da longa proximidade de Fujimori com o poder, desde o seu papel como primeira-dama sob o governo do seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, até ao seu tempo no Congresso e múltiplas candidaturas presidenciais. “Há algo nisso, para mim, que não gosto”, disse ele.

Zavaleta disse que Sánchez, candidato presidencial pela primeira vez, poderia oferecer uma ruptura com o passado. “Eu sei o que Keiko diz, ela está concorrendo (à presidência) há muito tempo e o povo não a quer”, disse Zavaleta. “Votei em Sánchez porque é a primeira vez e ele é um homem que pode realmente cumprir tudo o que diz”.

Apesar das suas diferenças, os moradores concordam amplamente em um ponto: Lahuaytambo foi praticamente abandonada pelo governo central e as expectativas de mudança permanecem baixas, independentemente de quem vencer.

“A margem estreita que estamos vendo na votação se deve ao crescente desencanto dos cidadãos com a política, os candidatos e os partidos”, disse Paula Munoz, cientista política da Universidade do Pacífico do Peru, relembrando que Fujimori e Sánchez, juntos, obtiveram menos de 30% dos votos no primeiro turno. “Não podemos esquecer que a maioria não está satisfeita com nenhum dos dois, então isso obriga a escolher entre dois candidatos que a maioria dos eleitores não gostou”, afirma.

Poder urbano, frustração rural

Quase um terço dos 35 milhões de habitantes do Peru vive na região metropolitana de Lima, que abrange apenas uma fração do território do país, mas concentra grande parte do seu investimento, infraestruturas e poder político.

A capital gera cerca de metade da produção econômica do Peru, enquanto as zonas rurais andinas enfrentam níveis de pobreza significativamente mais elevados, evidenciando um desequilíbrio de longa data que continua a moldar as eleições.

Essa divisão ajudou a impulsionar Pedro Castillo, um professor rural, a uma vitória estreita sobre Fujimori em 2021. Muitos veem Sánchez como o seu herdeiro político.

Lahuaytambo também apoiou Castillo, embora a sua presidência tenha sido interrompida por escândalos de corrupção, um Congresso combativo e a sua destituição após tentativa de dissolução do parlamento em 2022.

O partido Força Popular de Fujimori desempenhou um papel central nesse Congresso, e os analistas dizem que ela poderá agora voltar ao poder enfrentando um cenário político igualmente fragmentado.

Eles dizem que a sua pequena vantagem reflete as preocupações dos eleitores com o crime, bem como uma campanha mais experiente e mais bem financiada.

Memória e expectativas

Como muitos moradores mais antigos, Hugo Pumayauli lembra quando Alberto Fujimori visitou a cidade e distribuiu arroz, lentilhas e peixe, imagem que ainda ressoa décadas depois.

A campanha da sua filha voltou nesta eleição com camisetas e cartazes, revivendo essas memórias e aumentando as esperanças de assistência futura. “Como o pai dela distribuiu peixes, alguns acham que ela fará o mesmo”, disse Pumayauli.

Mas ele rejeita o que considera como doações de curto prazo, argumentando que é necessário um investimento mais profundo. “Terei algo para comer agora, mas e amanhã?” disse ele, pedindo soluções de longo prazo, como um reservatório de água para apoiar a agricultura local.

Em uma cidade dividida igualmente entre dois candidatos, essa tensão – entre a ajuda imediata e o desenvolvimento duradouro – é o desafio mais amplo que o próximo líder do Peru enfrentará.

Quem é Keiko Fujimori, candidata à presidência do Peru