O chanceler do Irã anunciou que a segunda fase das negociações com os Estados Unidos terá início no mesmo dia da cerimônia oficial de assinatura do acordo provisório entre os dois países. O evento está previsto para esta sexta-feira (19), na Suíça. Segundo o chanceler, as negociações terão duração de 60 dias e abordarão temas centrais como o programa nuclear iraniano e a retirada de sanções.
A analista de Internacional Fernanda Magnotta avaliou o cenário com cautela. Para ela, a primeira etapa do acordo funcionou como uma espécie de cessar-fogo estendido, com objetivos distintos para cada lado.
“Do lado iraniano, diminuir os ataques que vulnerabilizam a infraestrutura do país e, além disso, geran gastos sem precedentes com defesa. Do lado americano, visava abrir o Estreito de Ormuz para minimizar impactos econômicos e inflacionários que estavam afetando a popularidade de Donald Trump”, destacou a analista.
Na avaliação de Magnotta, a segunda fase concentrará as discussões nos pontos de maior sensibilidade entre as partes. Os temas centrais são: o programa nuclear iraniano, a retirada gradual de sanções e os sistemas de verificação internacional do cumprimento do acordo.
Magnotta destacou que a questão da verificação é uma das mais delicadas do processo. Ela lembrou que a falta de consenso sobre esse ponto contribuiu para o colapso do acordo nuclear anterior, firmado durante a administração Obama.
“Do lado americano, muita gente alegava que os iranianos não estavam cumprindo o combinado e não estavam deixando as verificações independentes acontecerem. Do lado iraniano, eles alegavam que os americanos estavam buscando razões para impor mais sanções e vulnerabilizar economicamente o Irã”, afirmou a analista.
Ceticismo
A analista ressaltou que o principal desafio da etapa 2 é transformar uma trégua em uma arquitetura política duradoura, algo que, segundo ela, não tem sido fácil e se arrasta há mais de uma década.
Magnotta comparou a situação à do conflito na Ucrânia, apontando que os interesses das partes parecem incompatíveis e que há pouca margem para uma negociação viável. Além disso, o prazo curto de 60 dias gera pressão em um contexto no qual, segundo ela, falta o elemento essencial: a construção de confiança mútua.
“Cada um apresenta diferentes versões sobre o que seria esse acordo, especialmente no que tange às sanções, aos ativos congelados e ao futuro de Ormuz”, afirmou Magnotta.
Para a analista, o processo se assemelha mais a uma manobra para garantir uma saída digna e ganhar tempo do que a um compromisso real capaz de resultar em um acordo duradouro. “Estou no time dos céticos, daqueles que estão pagando para ver”, concluiu.

