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Não há perspectiva de paz duradoura no Oriente Médio, diz ex-chanceler

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Não há perspectiva de paz duradoura no Oriente Médio, diz ex-chanceler

O ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, avaliou que o cenário no Oriente Médio segue sem perspectiva de uma paz duradoura, em razão da capacidade de resistência de atores regionais e da dinâmica de confrontos que tende a se prolongar.

Ao comentar a atuação do Irã, em participação no programa WW Especial, da CNN Brasil, Lafer afirmou que o país demonstrou resiliência acima do esperado e passou a explorar pontos estratégicos de influência global. “O Irã demonstrou, na condução da guerra, uma capacidade de resistência muito acima do que era esperado”, disse.

Ele acrescentou que Teerã identificou o Estreito de Ormuz como um instrumento de poder com impacto global. “O Irã se deu conta de que Ormuz é uma fonte de poder não apenas regional, mas mundial, pelo impacto na economia”, afirmou.

Lafer também avaliou que o atual regime iraniano teria conseguido reforçar sua posição interna diante do conflito. Segundo ele, isso reduz a possibilidade de uma solução definitiva no curto prazo.

Na sequência, o ex-chanceler tratou da situação em Gaza, destacando que a ofensiva militar de Israel contra o Hamas não significou o enfraquecimento definitivo do grupo. “A destruição efetiva da vida em Gaza não acabou com o Hamas, nem vai acabar com o Hamas desta maneira”, avaliou.

Ele também associou a continuidade do conflito a dinâmicas políticas internas em Israel. “Eu acho, inclusive, que o ‘Bibi’ [Benjamin Netanyahu] tinha uma certa cumplicidade com o Hamas para não deixar crescer na região o partido da Autoridade Palestina”, pontuou.

Sobre o Hezbollah, com atuação no sul do Líbano e impacto direto na fronteira com Israel, Lafer destacou sua permanência como ator relevante e sua influência desestabilizadora na política libanesa.

“O Hezbollah continua lá, apoiado pelo Irã e sendo uma força não só anti-israelense, mas também divisiva da possibilidade de o Líbano encontrar uma normalização política”, comentou.

Ele também ressaltou os efeitos do grupo no cotidiano do norte de Israel. “O Hezbollah atinge o norte de Israel de maneira muito significativa, afetando até a vida de instituições como a Universidade de Haifa”, declarou.

Ao final, Lafer afirmou não enxergar condições para capitulações entre os atores envolvidos, mas sim um ciclo contínuo de tréguas instáveis.

“O que há são tréguas mais ou menos prolongadas, continuamente suspensas e revogadas, que suspendem momentaneamente os desastres da guerra, sem levar necessariamente a um armistício ou a uma paz mais ampla”, concluiu. 

WW Especial

Apresentado por William Waack, o programa é exibido aos domingos, às 22h, em todas as plataformas da CNN Brasil.

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