Últimas

O que sabemos sobre o vazamento radioativo em prédio na USP

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
O que sabemos sobre o vazamento radioativo em prédio na USP

A CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) confirmou o vazamento de material radiológico no Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), cujo prédio fica dentro da USP (Universidade de São Paulo), na zona Oeste de São Paulo. O caso ocorreu no último dia 29 de maio, mas só foi confirmado pelo órgão nessa quinta-feira (11).

O evento não foi a primeira ocorrência registrada. Desta vez, dois profissionais tiveram EPIs contaminados durante o manuseio de insumos para radioterapia.

De acordo com informações do CNEN, a contaminação ficou restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia. Nenhum profissional foi atingido ou está em observação por impacto da contaminação.

O que vazou?

De acordo com a autarquia, foram detectados traços de tecnécio-99 durante o manuseio de geradores de molibdênio. O vazamento foi reportado inicialmente por entidades sindicais e confirmado pelo órgão regulador após a abertura de um relatório de ocorrência interna.

Quem foi impactado?

O incidente envolveu dois funcionários, classificados tecnicamente como Indivíduos Ocupacionalmente Expostos.

Segundo nota oficial do Ipen, a contaminação começou na vestimenta de um técnico e, apesar do isolamento imediato da roupa, um traço residual no piso atingiu o calçado de um segundo operador no dia 1º de junho.

Ambos foram submetidos a exames de “contagem de corpo inteiro”, que descartaram contaminação interna. O órgão assegura que a situação ficou restrita à área controlada do Centro de Radiofarmácia e não houve riscos para o restante do campus ou para a saúde pública.

O que acontece agora?

A ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) instaurou um procedimento de verificação técnica para avaliar o caso. O instituto tem até o dia 18 de junho para atender a exigências regulatórias notificadas pelo órgão fiscalizador.

O Ipen informou que os profissionais envolvidos passaram por retreinamento e que o monitoramento de dose acumulada é uma prática de segurança rotineira na instalação.

O centro é um dos principais fornecedores de radiofármacos para o SUS (Sistema Único de Saúde).

Outro lado

O Ipen se manifestou por meio de nota. Veja abaixo na íntegra:

“No dia 29 de maio, durante a rotina de produção de Geradores de Molibdênio-99/Tecnécio-99m, a roupa de um técnico do Centro de Radiofarmácia foi contaminada. O incidente foi prontamente identificado pelos detectores da instalação e o operador realizou a limpeza e o isolamento imediato de sua vestimenta. Após esse procedimento, o piso próximo ao detector reteve um leve traço de contaminação que, na segunda-feira, dia 1 de junho, causou a contaminação do calçado de um segundo operador.

Ambos os profissionais foram submetidos ao exame de contagem de corpo inteiro, que avalia possíveis contaminações internas. O procedimento constatou que a contaminação limitou-se exclusivamente às roupas externas, garantindo que nenhum dos operadores sofresse qualquer consequência à saúde.

Por não haver sequelas ou riscos residuais, nenhum funcionário permanece sob observação. Os envolvidos passaram por retreinamento e o caso segue sob avaliação interna para o aprimoramento dos processos de controle e segurança. A ocorrência foi integralmente relatada à Agência Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) por meio de um relatório técnico.

Contaminações pontuais em Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), embora rigidamente prevenidas, são ocorrências que podem eventualmente acontecer. Por essa razão, todo incidente direciona o profissional ao monitoramento de dose acumulada e ao exame de corpo inteiro.

É comum que os funcionários do Centro de Radiofarmácia mantenham doses acumuladas significativamente baixas aos limites permitidos pelas leis trabalhistas. Como medida extra de segurança preventiva, sempre que a dose de um trabalhador apresenta elevação, a sua função é trocada e a atividade executada é revisada para garantir a redução da exposição e a melhoria do processo produtivo.

Paralelamente à produção diária, o Centro de Radiofarmácia mantém uma equipe de pesquisa ativa com projetos promissores, como o Lu-177-PSMA-IT, em fase de testes clínicos, e estudos com moléculas marcadas com alfa-emissores, como o Ac-225.

O IPEN é um dos maiores fornecedores de radiofármacos para o Sistema Único de Saúde contribuindo decisivamente para o desenvolvimento do Brasil.”

(Com informações de Robson Rodrigues, Thiago Félix e Thomaz Coelho)

O que sabemos sobre o vazamento radioativo em prédio na USP — Radar Olhar Aguçado | Radar Olhar Aguçado