Os últimos meses têm sido difíceis para o Boi Na Brasa, restaurante brasileiro localizado no bairro de Ironbound, em Newark, região conhecida por sua forte presença de imigrantes latino-americanos.
As vendas caíram desde que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) realizaram operações de grande repercussão na área no ano passado.
Kalani Mubarak, gerente do restaurante administrado por sua família, lembra de ter visto agentes do ICE prenderem um cliente habitual quando ele chegava para almoçar. Desde então, nunca mais o viu.
“Passamos por um longo período de resultados negativos nas vendas”, afirmou.
Após demissões e redução de turnos, Mubarak aposta na Copa do Mundo para impulsionar o movimento que o estabelecimento tanto necessita. O restaurante organizará uma festa para acompanhar a estreia do Brasil contra Marrocos neste sábado (13), com música ao vivo e bar ao ar livre.
Mesmo assim, permanece a preocupação com a possibilidade de novas operações migratórias ou de que o medo delas reduza a presença do público.
“É uma preocupação, mas tento dizer às pessoas que elas estão seguras aqui, desde que não façam nada errado”, disse.
Pentacampeão mundial, o Brasil chega como um dos favoritos ao título, e sua torcida costuma lotar bares e restaurantes durante grandes competições. Trechos da Ferry Street, principal via de Ironbound, serão fechados durante os jogos e também para a tradicional celebração do Dia de Portugal, que coincide com a estreia brasileira.
“O medo ainda está presente”
Apesar dos preparativos e da ampliação da capacidade de atendimento em diversos estabelecimentos, muitos comerciantes receiam que a presença de torcedores fique abaixo do esperado.
As lembranças das operações do ICE, que levaram moradores a permanecerem em casa e deixaram negócios praticamente vazios por dias, continuam vivas na comunidade.
“A Copa do Mundo está mostrando que o medo ainda existe, porque ouço meus amigos comentando se devem ou não sair para assistir aos jogos”, afirmou Michel De Souza, brasileiro de 39 anos que vive nos Estados Unidos com visto temporário.
O Cozy Sports Bar and Grill, também na Ferry Street, viu suas vendas caírem cerca de 75% no ano passado, segundo a gerente Andrea Muniz.
Já no restaurante português Sol-Mar, a bartender Maria Perez recorda demissões e cortes de horas de trabalho ocorridos após as operações migratórias.
Ela afirma que o movimento costuma diminuir por alguns dias sempre que circulam nas redes sociais alertas sobre a presença de agentes do ICE na região.
Hazel Applewhite, diretora-executiva da organização comunitária Ironbound Community Corporation, classificou as operações do ano passado como um “trauma coletivo”.
“Eles mudaram fundamentalmente a forma como a comunidade funciona”, disse. “Em grandes eventos, as pessoas agora observam quem está ao redor, estacionam mais longe e planejam rotas de saída.”
A Copa do Mundo ocorre em meio a novas tensões migratórias em Newark. Nas últimas semanas, detentos do Centro de Detenção Delaney Hall realizaram greves de fome em protesto contra supostas más condições e atendimento médico inadequado. Manifestantes contrários ao ICE também realizaram protestos nas proximidades, em alguns momentos entrando em confronto com forças de segurança.
Para os empresários que investiram nos eventos relacionados ao Mundial, o sucesso é fundamental.
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