O governo Trump deu luz verde para que a Paramount Skydance adquira a Warner Bros. Discovery em uma megafusão que irá remodelar Hollywood.
A aprovação concedida na tarde de sexta-feira pelo Departamento de Justiça, embora esperada, foi um passo fundamental na busca da Paramount para adquirir a CNN, a HBO, o estúdio cinematográfico da Warner Bros. e outros ativos da Warner Bros. Discovery.
O Departamento de Justiça afirmou em comunicado que “não é provável que a transação resulte em prejuízo à concorrência ou aos consumidores americanos, incluindo no que diz respeito a: (1) streaming de vídeo sob demanda (“SVOD”); (2) televisão linear; e (3) desenvolvimento, produção ou distribuição de filmes pelos estúdios para exibição nos cinemas”.
A Paramount disse estar grata ao Departamento de Justiça pela “análise minuciosa” e acrescentou: “Continuamos focados em concluir a transação o mais rápido possível e em proporcionar seus benefícios aos consumidores, criadores e à indústria do entretenimento como um todo.”
A Paramount e a Warner Bros. Discovery (também conhecida como WBD) ainda enfrentam uma possível ação judicial movida por uma coalizão de procuradores-gerais estaduais, que afirmam que o governo Trump não está cumprindo a legislação antitruste.
A ação judicial em nível estadual poderia retardar o processo de fusão, embora os executivos da Paramount afirmem que tal ação seria improcedente.
Um porta-voz do procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, disse, em resposta à decisão do Departamento de Justiça, que “a fusão entre a Warner Bros. e a Paramount continua sob investigação pelo Departamento de Justiça da Califórnia”.
A senadora Elizabeth Warren, uma das críticas mais veementes ao acordo, classificou a aprovação do Departamento de Justiça como “uma péssima notícia para todos os americanos que não querem que bilionários alinhados a Trump controlem o que assistem e quanto pagam” e instou os procuradores-gerais estaduais a intervir.
“O acordo entre a Paramount e a Warner Bros. cheira a corrupção e tráfico de influência”, disse a senadora. “Essa luta não acabou. Os procuradores-gerais estaduais devem bloquear essa fusão.”
As empresas também continuam aguardando análises importantes por parte da União Europeia e do Reino Unido. Os órgãos reguladores desses países estão avaliando se o acordo poderia prejudicar a concorrência.
A Paramount afirma que o acordo é “fundamentalmente favorável à concorrência”. Quanto à perspectiva de assumir o controle da CNN, o que tem causado preocupação entre grupos defensores da liberdade de imprensa, a empresa afirma que se compromete a “investir no futuro do jornalismo, e não a prejudicá-lo”.
A Paramount tem buscado obter todas as aprovações necessárias e assumir o controle da WBD no terceiro trimestre do ano, ou seja, até o final de setembro. Internamente, os líderes da Paramount têm falado sobre a possibilidade de superar todos os obstáculos em julho, embora o cronograma das análises europeias torne isso improvável.
A ousada oferta pela WBD — que é muitas vezes maior que a Paramount — tem sido fonte de controvérsia há meses, em parte devido aos laços estreitos da Paramount com o presidente Donald Trump e aos esforços percebidos da empresa para ganhar o favor de seu governo.
O negócio é financiado pelo aliado de Trump, Larry Ellison, o bilionário cofundador da Oracle, cujo filho, David Ellison, tornou-se CEO da Paramount por meio de uma fusão no ano passado.
Os críticos do acordo com a WBD apontaram a reestruturação da CBS News pela Paramount e de programas como o “60 Minutes” — há muito alvo da ira de Trump — como evidência da disposição da empresa em ceder à pressão política.
Bruce Springsteen criticou a Paramount por apaziguar Trump na rede principal da empresa, a CBS, durante um dos últimos episódios do “The Late Show with Stephen Colbert” no mês passado. Depois de criticar Trump, Springsteen disse: “Larry e David Ellison acham que precisam bajulá-lo para conseguir o que querem”.
Os executivos da Paramount rejeitaram essa narrativa em particular, embora os Ellisons tenham falado pouco sobre o assunto em público.
Trump comentou publicamente sobre a Paramount ao longo do tempo, às vezes retratando os Ellisons como seus amigos e expressando especificamente interesse em que a família assumisse a CNN.
“É imperativo que a CNN seja vendida”, disse Trump em dezembro, quando a Netflix estava vencendo uma complexa guerra de lances pelos ativos. Os comentários indicaram que ele preferia a oferta hostil de aquisição da Paramount.
A Paramount saiu vitoriosa em fevereiro, e então teve início o processo de análise regulatória.
No final de abril, a Paramount organizou um jantar incomum em Washington com Trump, membros de seu gabinete e um pequeno grupo de jornalistas e executivos da CBS News. Entre os convidados estavam: o chefe do Departamento de Justiça, o procurador-geral interino Todd Blanche, e o presidente da FCC, Brendan Carr.
Em maio, a análise do acordo pelo Departamento de Justiça avançou rapidamente, com depoimentos de alguns executivos da Paramount e uma longa reunião com David Ellison.
O interrogatório foi conduzido por funcionários de carreira, e não por nomeados por Trump, revelou à CNN uma pessoa a par do processo.
Ainda assim, toda a análise regulatória foi ensombrada por acusações de favoritismo político e nepotismo. Vários legisladores democratas prometeram investigar questões relacionadas à Paramount e a Trump caso seu partido vença as eleições de meio de mandato.
“Agradecemos a análise minuciosa do Departamento de Justiça sobre esta transação, bem como o trabalho das outras agências que concluíram suas análises e concederam aprovação até o momento”, disse a Paramount na sexta-feira. “Este acordo é pró-competitivo, resultando em uma empresa mais forte e melhor posicionada para competir contra plataformas tecnológicas dominantes em um setor cada vez mais marcado pela intensa competição por público, talentos, tecnologia e investimentos.”

