Com trajes de mariachi, trompetes e uma onda de apoio vestida de verde escuro, a Cidade do México se preparava para a abertura da Copa do Mundo nesta quinta-feira (11), com torcedores lotando o famoso estádio Azteca antes da partida inaugural entre México e África do Sul, em meio a protestos por toda a capital.
Longas filas davam voltas no quarteirão do Azteca, com torcedores enfrentando uma longa espera para entrar no primeiro estádio a sediar jogos em três Copas do Mundo. Lá dentro, milhares cantavam antes do início da partida.
Alejandro Garcia, de 50 anos, usando um sombrero e carregando uma réplica do troféu, disse estar orgulhoso por o México sediar mais uma Copa do Mundo. Ele era apenas uma criança quando o país sediou o torneio pela última vez, em 1986.
“Este é o nosso templo”, disse ele no saguão ao redor do Estádio Azteca. “Será uma grande Copa do Mundo, todos os protestos serão esquecidos.”
Mas fora das quadras, a cidade de 9 milhões de habitantes permanecia profundamente dividida.
O período que antecedeu o torneio no México, que o país coorganiza com os EUA e o Canadá, foi marcado por agitação social na capital , com vários grupos – de professores a familiares de desaparecidos na guerra contra as drogas – a realizarem marchas na tentativa de aproveitar a atenção internacional para promover a sua causa.
Pelo menos seis protestos estavam planejados para quinta-feira (11), com a cidade em um cenário de contradição entre celebração e oposição. Murais recém-pintados, novos trens e um estádio reformado, com o objetivo de receber turistas para os jogos, contrastavam com barricadas de aço erguidas por comerciantes para se protegerem dos manifestantes ao longo da principal avenida da capital.
Acampamentos e marchas
A cerca de cinco quilômetros do Estádio Azteca, milhares de professores descontentes de todo o país começaram a marchar em direção ao estádio antes da partida.
Avelina Cruz Miguel, professora do ensino fundamental há 22 anos, viajou de Oaxaca para protestar por melhores salários. Ela afirmou que os protestos ofereciam aos professores a oportunidade de tornar suas reivindicações conhecidas “em nível internacional”. “Não há apoio à educação” no México, disse ela.
Os professores também acamparam nos arredores da praça central, o Zócalo, durante os dias que antecederam o início do torneio.
O acampamento obrigou as autoridades a bloquear a entrada do Zócalo na véspera da abertura da competição e aumentou os receios de que a área fosse fechada aos adeptos que planeavam reunir-se na praça para assistir ao jogo em uma tela gigante.
Nesta quinta (11), barracas foram montadas nas ruas ao redor da praça, num quarteirão inteiro, mas as autoridades confirmaram que a área para os fãs estaria aberta.
Mario Martinez, de 30 anos, de Tijuana, foi um dos primeiros torcedores a entrar com sua namorada. Ele disse que tinham vindo para a fan zone porque os ingressos para o estádio estavam muito caros e eles estavam preocupados que o evento fosse cancelado. “Graças a Deus, tudo deu certo.”
Muitos moradores reclamaram que o dinheiro estava sendo gasto para embelezar a cidade para os visitantes sem resolver os problemas de infraestrutura subjacentes. Quinta-feira foi declarada feriado oficial na Cidade do México, em parte para aliviar as preocupações com o transporte.
Outros chilangos, como são conhecidos os moradores da Cidade do México, reclamaram dos preços proibitivos dos ingressos, que os impediram de assistir ao espetáculo ao vivo em sua cidade natal.
Para a partida de abertura entre México e África do Sul, alguns torcedores entrevistados pela Reuters disseram ter pago US$ 3.000 ou mais, um valor muito acima da capacidade de pagamento da maioria dos mexicanos. A FIFA defendeu seus preços, afirmando que o custo dos ingressos está em linha com o de outros grandes eventos esportivos.
“A FIFA só está interessada no lucro”, disse Jonathan Cordoba, de 33 anos, enquanto esperava numa longa fila para entrar no estádio. Mas ele afirmou não ter arrependimentos: “É a paixão!”

