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Marina Silva aposta em pauta ambiental para disputa ao Senado em SP

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)
Marina Silva aposta em pauta ambiental para disputa ao Senado em SP

A deputada federal Marina Silva (Rede-SP) confirmou, em entrevista à CNN, sua pré-candidatura ao Senado Federal pelo estado de São Paulo. Representando a Federação Rede-PSOL, ela afirmou que o partido se coloca com “firmeza e clareza” na disputa pela vaga, ressaltando que a legenda tem seis deputados federais e já foi ao segundo turno duas vezes no estado.

Marina destacou que as negociações para a composição da chapa majoritária ainda estão em curso, envolvendo outros nomes aliados, como Simone Tebet (PSB), e que o objetivo é garantir uma composição forte para dar suporte à candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo do estado.

Meio ambiente como trunfo eleitoral

Questionada sobre possíveis contradições entre a pauta ambiental que defende e os interesses de setores do agronegócio no interior de São Paulo, Marina Silva rejeitou a premissa. Para ela, não existe contradição entre proteger o meio ambiente e promover o desenvolvimento econômico.

“Nós tivemos um crescimento nesse primeiro trimestre e o agronegócio cresceu mais do que todos os outros setores, e nós conseguimos uma redução do desmatamento de 50% na Amazônia e de 32% no país inteiro”, afirmou.

Marina Silva também destacou a redução das queimadas em mais de 75% na Amazônia e a abertura de mais de 500 mercados para a agricultura brasileira. Segundo ela, quem resiste ao debate ambiental integrado representa apenas cerca de 1% do setor — “aqueles que não querem cumprir a lei”.

Ela ainda alertou que a UE (União Europeia) sinaliza restrições a produtos brasileiros, o que tornaria ainda mais necessário demonstrar bom desempenho na agenda ambiental.

Desmatamento e dados históricos

Marina Silva afirmou que, pela primeira vez desde 2019, o Brasil deve registrar menos de um milhão de hectares de floresta destruída. “Esse ano podemos ter a menor taxa de desmatamento já registrada desde 1998”, declarou.

Ela também mencionou que o Brasil reduziu 750 milhões de toneladas de CO2 nos últimos três anos e que o país elaborou um plano climático robusto, além de ter sediado a COP30.

Ao ser questionada sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos e a justificativa ambiental utilizada pelo presidente americano, Donald Trump, Marina Silva afirmou que Trump teria se baseado em dados do governo anterior para sustentar as retaliações.

“Ele não quis usar os dados desse governo, porque sabe que o desmatamento está caindo”, disse. Ela defendeu que o Brasil está aberto ao diálogo, mas não aceita “nenhum tipo de interferência” em sua soberania.

Eleitorado evangélico e futuro político

Sobre a possibilidade de atrair o eleitorado evangélico para a chapa, Marina Silva considerou que o erro histórico não é de responsabilidade exclusiva de um único líder político. Para ela, uma parte do campo progressista ignorou esse segmento por muito tempo, enquanto outra tentou instrumentalizá-lo.

“Há uma compreensão crescente da importância desse segmento e de tratá-lo com respeito no terreno das políticas públicas”, avaliou.

Quanto ao seu futuro político além do Senado, Marina Silva descartou concorrer a uma vaga de deputada federal. Sobre uma eventual permanência no Ministério do Meio Ambiente em um quarto governo, ela afirmou ser “inteira prerrogativa” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compor seu ministério, sem antecipar qualquer decisão a respeito.

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