As exportações brasileiras de café somaram 3,089 milhões de sacas de 60 quilos em maio de 2026, volume 3,6% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (11) pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
Apesar do avanço nos embarques, a receita cambial caiu 16% na comparação anual, para US$ 1,05 bilhão.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo aumento das exportações de cafés canéforas (conilon e robusta), que saltaram 193% em relação a maio de 2025, alcançando 601,7 mil sacas. Já os embarques de café arábica recuaram 11,9%, para 2,1 milhões de sacas.
Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a leve alta nas exportações reflete a entrada no mercado da nova safra, especialmente dos cafés canéforas, movimento que deve se intensificar nos próximos meses com a chegada dos grãos arábica.
“A leve alta em maio reflete a entrada de cafés colhidos já neste ano, principalmente os canéforas, que são nossos conilon e robusta, movimento que deveremos observar com os arábicas a partir dos próximos meses também”, afirmou.
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil exportou 14,7 milhões de sacas, queda de 12,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita cambial atingiu US$ 5,5 bilhões, retração de 14,6% frente aos R$ 6,4 bilhões registrados no mesmo recorte em 2025.
Embarques por tipo
O café arábica respondeu por 75,5% dos embarques no período, com 11,1 milhões de sacas exportadas, enquanto os cafés canéforas representaram 12,8% do total, somando 1,89 milhão de sacas e registrando crescimento expressivo de 86,5% frente aos cinco primeiros meses de 2025.
O segmento do café solúvel, com 1,7 milhão de sacas (11,6% do geral) e o setor industrial de café torrado e torrado e moído, com 20.714 sacas (0,1%) completam a lista.
Apesar dos desafios, o Cecafé mantém uma perspectiva positiva para o restante do ano. A expectativa é de uma colheita recorde, favorecida pelas condições climáticas, o que pode ampliar a oferta exportável principalmente no segundo semestre.
“O clima foi favorável na maior parte do cinturão cafeeiro e isso possibilitou uma safra com excelente qualidade, produtividade elevada e, consequentemente, bom volume. Em condições normais, passaremos a observar o crescimento dos embarques, principalmente no segundo semestre”, projetou o presidente da entidade.
No ano-safra 2025/26, entre julho de 2025 e maio de 2026, o Brasil exportou 35,37 milhões de sacas, queda de 17,7% em relação ao ciclo anterior. A receita cambial, por sua vez, somou US$ 13,61 bilhões, praticamente estável, com recuo de apenas 0,7%, sustentada pelos preços ainda elevados do café no mercado internacional.
Principais destinos
Entre os principais compradores do café brasileiro de janeiro a maio, a Alemanha manteve a liderança, com 1,91 milhão de sacas importadas, seguida pelos Estados Unidos, com 1,77 milhão. Itália, Bélgica e Japão completam a lista dos cinco maiores destinos.
Os embarques para os Estados Unidos, entretanto, apresentaram forte retração de 38,4% no acumulado do ano, refletindo um ambiente de incertezas comerciais.
Segundo Ferreira, questões geopolíticas, gargalos logísticos nos portos brasileiros e indefinições sobre a política tarifária norte-americana seguem pressionando os negócios do setor.
O Porto de Santos segue como o principal exportador dos cafés do Brasil neste ano com 10,7 milhões de sacas e representatividade de 72,8% no total. Na sequência, aparecem o complexo portuário do Rio de Janeiro, que respondeu por 23,2% dos embarques ao remeter 3,4 milhões de sacas ao exterior, e o Porto de Paranaguá (PR), que embarcou 166,5 mil sacas, correspondendo a 1,1%.

