O bloqueio de 46,5% no valor do seguro rural previsto para 2026 causou descontentamento na Câmara de Deputados, que age, agora, para tentar reverter a situação. Segundo Pedro Lupion, deputado federal (PP-PR) e presidente da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), a medida do governo divulgada nesta terça-feira (9) acarretará em aumento de custos de produção e potencial alta na inflação de alimentos.
Em entrevista ao CNN Money, Lupion disse que a notícia do governo “causou assombro” entre os parlamentares, em especial, porque ocorreu depois de um encontro com o Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, antes da tradicional reunião da FPA, às terças-feiras.
“Nossa preocupação é histórica pela situação de seguro contingenciado nas safras de 2024/25 e 2025/26”, afirmou Lupion sobre a medida publicada pela Comissão de Orçamento do MAPA.
“A grande realidade é que seguro não existe”, acrescentou. De acordo com o parlamentar, a situação torna o crédito rural mais caro ao produtor, fator que move a reação da Câmara contra o contingenciamento.
Para Lupion, são “subterfúgios” colocados pelo governo para tirar o seguro rural da prioridade. Ele critica a ausência de um programa de seguro condizente com o tamanho da área produtiva do Brasil.
A situação no Rio Grande do Sul foi utilizada como exemplo pelo deputado para reforçar a necessidade de reverter o corte atual e retomar o previsto no início, de R$ 1,1 bilhão.
O endividamento alto do Brasil, disse ele, é também ponto frágil da cadeia produtiva, que está em cerca de R$ 180 bilhões e pressiona mais a necessidade do seguro rural. Segundo Lupion, o contingenciamento se soma a um corte no Proagro e dificulta a previsão de safras robustas sem margens apertadas.
A expectativa dos deputados da bancada ruralista é conseguir um “alento” ao agro com a provação do projeto de renegociação de dívidas rurais nesta quarta-feira (10), no Senado.
De acordo com Lupion, houve um trabalho próximo com o presidente do Senado Davi Alcolumbre, para que passe o apelidado “Refis do agro” para dívidas bancárias e dívidas de fornecedores, especialmente pela pressão de eventos climáticos que podem ocorrer com o El Niño.
O receio, acrescenta Lupion, é o aumento nos próximos meses da inflação de alimentos, que seguirá pressionada com o produtor sem recursos para se financiar.

