Lideranças do PT articulam uma estratégia para proteger o partido de possíveis desdobramentos da delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, relacionada ao escândalo do Banco Master. A apuração é da âncora da CNN Tainá Falcão.
Ainda sem conhecer o teor do acordo de colaboração, dirigentes petistas passaram a trabalhar com a chamada “tese do CPF”: a ideia de que eventuais citações nas investigações devem ser tratadas de forma individual, e não como responsabilidade coletiva do partido.
A avaliação interna do PT é de que, caso alguma liderança apareça nas apurações, a defesa deve ser feita de forma pessoal.
Receio com Augusto Lima e o PT da Bahia
A apuração de Tainá aponta que o principal temor do partido não está tanto em Daniel Vorcaro, mas em Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro que mantém relações com a política baiana e com o PT da Bahia.
Augusto Lima teria sido responsável por projetos de crédito consignado no estado, como o CredCesta, voltado a servidores estaduais, e teria mantido interlocução com Rui Costa e com Jacques Wagner durante o período em que Wagner era secretário do governo baiano.
Essa relação já vem sendo explorada pela oposição para tentar associar o caso ao núcleo petista baiano.
Nos bastidores, dirigentes do partido argumentam que a existência de uma interlocução institucional entre Rui Costa, Jacques Wagner ou qualquer outra pessoa com Daniel Vorcaro não configura, por si só, nenhuma irregularidade.
A avaliação interna é de que os adversários de Lula tentam transformar relações construídas ao longo dos anos — não apenas com o ex-sócio do Master, mas com outros empresários — em acusações políticas.
Em resposta, petistas têm reforçado o discurso de que o crescimento do Banco Master ocorreu durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, e que a gênese da instituição financeira de Daniel Vorcaro não está na Bahia.
Apesar de o partido afirmar publicamente que não há nada a temer, nos bastidores, um temor real de que o caso Master possa chegar ao Palácio do Planalto.
A prioridade da cúpula petista é impedir que eventuais acusações contra pessoas do entorno contaminem o caminho eleitoral.

