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Autoridade Nuclear inicia consulta para possível instalação de reator em SC

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 4 horas)

A ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) deu início ao processo de consulta regulatória para a possível instalação de um Pequeno Reator Modular (SMR, na sigla em inglês) no Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, em Capivari de Baixo (SC), um dos maiores polos de geração de energia a carvão mineral do país.

Na última terça-feira (26), especialistas da autoridade reguladora realizaram uma visita técnica ao empreendimento, atendendo a um requerimento formal apresentado pelo Grupo Diamante Energia. A iniciativa é a primeira etapa das discussões sobre o licenciamento de uma eventual instalação nuclear na região e integra os estudos da companhia para transformar o complexo em um centro de geração de energia de baixa emissão de carbono.

O pedido encaminhado à ANSN busca orientações sobre os procedimentos necessários para a obtenção da Licença Prévia de Local (LPL), considerada a fase inicial do processo de licenciamento de empreendimentos nucleares no Brasil. Durante a visita, os técnicos avaliaram aspectos preliminares relacionados à adequação do sítio, incluindo características geográficas, condições ambientais, distância de centros populacionais e outros fatores que poderão influenciar futuras análises de segurança.

Segundo a autoridade nuclear, também foi identificada a necessidade de coleta de dados meteorológicos da região, requisito previsto nas normas regulatórias e considerado fundamental para subsidiar estudos técnicos de caracterização do local e avaliação de segurança.

A possibilidade de implantação de um SMR faz parte dos estudos conduzidos pela Diamante Energia dentro do Programa Transição Energética Justa. A estratégia prevê a substituição gradual das usinas termelétricas movidas a carvão por fontes de energia de menor impacto ambiental até 2040.

O Complexo Jorge Lacerda, localizado no sul catarinense, é atualmente abastecido por carvão mineral e teve sua operação garantida até 2040 por meio de mecanismo de contratação aprovado pelo governo federal. O plano da empresa é aproveitar a infraestrutura existente para promover uma transformação do empreendimento em um complexo industrial multifuncional.

Além da tecnologia nuclear, os planos em avaliação incluem projetos de geração de energia a gás natural, produção de fertilizantes, uso de cinzas para a construção civil e outras atividades industriais ligadas à transição energética. A proposta busca preservar empregos e a atividade econômica da região carbonífera de Santa Catarina, ao mesmo tempo em que reduz as emissões associadas à geração elétrica.

Os pequenos reatores modulares são apontados por especialistas como uma das tecnologias emergentes da indústria nuclear. Diferentemente das usinas nucleares convencionais, os SMRs possuem menor capacidade de geração e são projetados para serem fabricados de forma modular, com potencial para redução de custos e maior flexibilidade de implantação.

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