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Bolsonarismo precifica desgaste com mercado ao defender pauta anti-facções

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 5 horas)
Bolsonarismo precifica desgaste com mercado ao defender pauta anti-facções

Aliados do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que os ganhos eleitorais da ofensiva para que os Estados Unidos classifiquem as facções criminosas brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas superam os custos políticos da medida junto ao mercado financeiro.

Embora reconheçam a resistência de parcela dos agentes econômicos à iniciativa num momento em que Flávio tenta atrair o mercado para mais perto de sua pré-campanha, bolsonaristas apostam que o discurso de endurecimento contra o crime tem maior potencial de atrair o eleitorado e, portanto, mais votos, que é o que conta realmente nas urnas.

Nas palavras de um aliado de Flávio, a população está “tão cansada” das facções e da insegurança que verá com bons olhos qualquer ajuda estrangeira, desde que sem perda da soberania e sem prejuízos práticos no dia a dia.

Inclusive, a expectativa entre bolsonaristas é de que o apoio à decisão americana converta mais votos a Flávio do que a visita ao presidente Donald Trump em si. Durante o encontro, a classificação das facções como terroristas foi uma das pautas.

Segundo o governo federal, a decisão dos Estados Unidos pode reduzir a troca de informações entre as polícias e afetar o sistema financeiro, inclusive a infraestrutura do Pix, que já estava na mira dos americanos.

O governo já adota a linha de ameaças à soberania nacional como argumento principal de contra-ataque, numa estratégia parecida com a que usou quando os americanos aplicaram o tarifaço. Cerca de 18 horas depois da decisão do governo Trump e após uma reunião entre ministros no Planalto, o governo reagiu com uma dura nota.

No texto, o governo afirma que o Brasil é uma nação soberana que combate de forma permanente o PCC e o CV, entre outras facções e milícias, além de que o lucro por meio do crime não pode ser confundido com motivações ideológicas, políticas e religiosas.

A nota também faz questão de deixar claro que a decisão do governo americano aconteceu após interferência da família Bolsonaro. Um trecho diz o seguinte: “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”.

E continua ao classificar como “deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”.

Fora os argumentos técnicos, a apostas é de que Lula pode se blindar ao dizer que a família Bolsonaro atua contra os interesses nacionais. Ao mesmo tempo, o Planalto se preocupa para não transparecer que estaria defendendo criminosos. E, em mais uma frente de ataque, acusa o clã Bolsonaro de envolvimento com milícias.