Israel bombardeou o Líbano com mais de 120 ataques aéreos na terça-feira (26), em um dos dias de bombardeio mais intensos em semanas, disseram fontes de segurança libanesas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que suas forças armadas estavam intensificando as operações no país.
Os bombardeios tensionaram ainda mais o cessar-fogo anunciado em 16 de abril, que visava interromper os combates entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah, e ocorreram no mesmo dia em que o Irã alegou que os Estados Unidos violaram uma trégua separada ao atacar o sul do país.
Fontes de segurança libanesas disseram à agência de notícias Reuters que os ataques israelenses atingiram áreas do sul e do leste do Líbano na terça-feira.
O Ministério da Saúde do Líbano informou que ataques israelenses nas últimas horas mataram 31 pessoas e feriram 40, segundo a agência de notícias estatal NNA, na manhã desta quarta-feira.
A agência afirmou que 14 pessoas morreram na cidade de Burj al-Shamali, no sul do Líbano, incluindo duas crianças e três mulheres.
Alguns ataques atingiram as proximidades do Castelo de Beaufort, uma fortaleza com quase 900 anos no sul do Líbano, que a UNESCO descreveu como um dos exemplos mais bem preservados de castelos medievais da região.
Pelo menos três ataques também atingiram as proximidades do maior reservatório de água do Líbano, a represa de Qaraoun, no leste do país, informou a Agência Nacional de Notícias do Líbano.
Em um comunicado divulgado na terça-feira (26), Netanyahu afirmou que as forças armadas israelenses “estão operando com grande contingente em campo, capturando e controlando áreas”.
“Estamos reforçando a faixa de segurança para proteger as comunidades do norte”, disse ele, referindo-se a uma zona de segurança autodeclarada e ocupada por tropas israelenses a alguns quilômetros dentro do sul do Líbano.
Hezbollah ataca tanques israelenses
Duas fontes afirmaram na terça-feira que as forças armadas israelenses expandiram suas operações terrestres no sul do Líbano, ultrapassando a zona de segurança, mas não forneceram mais detalhes sobre a extensão do avanço além da chamada Linha Amarela.
Essa linha, distinta da “Linha Azul” demarcada pela ONU (Organização das Nações Unidas), que marca a fronteira entre o Líbano e Israel após a retirada israelense em 2000, faz parte de uma zona tampão proposta que se estende de 5 km a 10 km para o sul do Líbano.
As forças armadas israelenses ordenaram que os moradores não retornassem a dezenas de vilarejos na zona, e suas tropas têm destruído casas na região.
Um oficial militar israelense afirmou que as forças armadas estavam “operando de forma direcionada além da Linha de Defesa Avançada, a fim de eliminar ameaças diretas aos cidadãos do Estado de Israel” e aos soldados israelenses, “em conformidade com as diretrizes da cúpula política”.
Netanyahu declarou na segunda-feira que Israel intensificaria seus ataques contra o Hezbollah, enquanto um oficial americano afirmou que o grupo apoiado pelo Irã ignorou os alertas para interromper os ataques que corriam o risco de prejudicar as negociações para o fim da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O grupo afirmou na terça-feira (26) ter atacado forças e tanques israelenses que avançavam em direção à cidade de Zawtar al-Sharqiya, no sul do Líbano, com drones explosivos, foguetes e artilharia.
O Ministério da Saúde do Líbano afirma que o número total de mortos na ofensiva israelense desde 2 de março, quando o Hezbollah lançou projéteis contra Israel em resposta ao início da guerra com o Irã, chegou a 3.213 mortos e 9.737 feridos até 26 de maio.
O Exército israelense informou que 10 de seus soldados foram mortos desde o cessar-fogo de 16 de abril, seis deles por drones explosivos do Hezbollah.
A Organização Mundial da Saúde afirmou que pelo menos 608 pessoas no Líbano foram mortas em ataques israelenses desde o cessar-fogo.
O Hezbollah não divulgou números sobre suas próprias baixas.
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