O governo federal avalia que Donald Trump deve adotar postura de neutralidade em relação à eleição presidencial no Brasil, mesmo após o encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL) com o líder americano na Casa Branca. A avaliação foi apurada pela jornalista Débora Bergamasco ao CNN 360º.
O encontro entre Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência, e Trump foi considerado um evento de grande expectativa pela pré-campanha bolsonarista. No entanto, segundo fontes do governo brasileiro ouvidas por Débora, a reunião não alterou a percepção de que Washington manterá equidistância no processo eleitoral.
Por que o governo não se sente ameaçado
A avaliação do governo se baseia, principalmente, no comportamento de Trump após o encontro. Segundo a apuração, o líder americano não se manifestou publicamente nas redes sociais em apoio a Flávio Bolsonaro, não mencionou o encontro e tampouco declarou qualquer tipo de suporte ao pré-candidato. Além disso, a visita não teve caráter oficial e ocorreu sem pompa e circunstância, o que reforça a leitura de que não houve sinalização política explícita.
O governo também lembra que, no início do atual mandato de Trump, a relação com Lula (PT) começou de forma turbulenta. Trump chegou a afirmar que uma eleição sem Jair Bolsonaro não seria democrática nem válida, e houve tentativas de pressão por meio de sanções contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir a inelegibilidade de Bolsonaro. Com o tempo, porém, a relação entre os dois governos teria se revertido, com os dois líderes passando a trocar elogios mútuos.
Cautela diante de um cenário que pode mudar
Apesar da avaliação positiva, o governo reconhece que o cenário pode se alterar. A jornalista destacou que Trump já adotou estratégias de interferência eleitoral em outros países — como o envio de J.D. Vance à Hungria para tentar influenciar o pleito local, tentativa que, segundo a reportagem, não obteve o resultado esperado. A possibilidade de uma mudança de postura americana, portanto, não é descartada.
Por ora, contudo, o governo federal afirma não estar preocupado com o encontro entre Flávio Bolsonaro e Trump. A relação entre Lula e o líder americano é descrita como ainda positiva, e o temor de uma interferência direta dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro, ao menos no momento, foi colocado em segundo plano. A ressalva, no entanto, é unânime: tudo pode mudar.

