A Polícia Federal apontou que Daniel Vorcaro bancou viagens do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), incluindo ao exterior, justamente no período em que o Rioprevidência realizava aportes bilionários no Banco Master. A apuração é do analista de Política da CNN Matheus Teixeira ao CNN 360°.
A “elevada coincidência” apontada pela investigação
Segundo Matheus, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça descreveu o padrão identificado como uma “elevada coincidência”.
De acordo com o que consta na representação da Polícia Federal acolhida pelo ministro, as viagens — algumas delas internacionais — e os encontros em ambientes privados entre Vorcaro e Castro ocorriam sempre na mesma época em que o Rioprevidência realizava aportes vultosos no Banco Master.
A investigação aponta que a Rioprevidência e o próprio governo do Rio de Janeiro foram alertados inúmeras vezes sobre os riscos dessas operações, mas ignoraram os avisos e continuaram aportando recursos no banco.
Para a autoridade relatora, o encadeamento lógico e cronológico dos fatos aponta para uma conclusão: o pagamento de uma espécie de propina ou vantagens a Castro para viabilizar os aportes.
Ainda segundo a apuração, Castro teria promovido mudanças na equipe da Rioprevidência para viabilizar os pagamentos ao Banco Master.
Tais movimentações iam na contramão do que as áreas técnicas recomendavam, que sugeriam aportes em instituições mais sólidas e capazes de proteger os recursos administrados pelo fundo.
Castro na mira de duas grandes investigações
Matheus Teixeira destacou que esta é a segunda decisão contra Cláudio Castro em um intervalo de apenas 11 dias.
A primeira, por ordem do ministro do STF Alexandre de Moraes, está relacionada à Refit — uma refinaria de petróleo do Rio de Janeiro —, cujo protagonista não é Vorcaro, mas Ricardo Magro.
Magro está na mira do STF desde a operação Carbono Oculto, que investigou lavagem de dinheiro em fintechs e instituições financeiras, além de sonegação fiscal atribuída à Refit.
Com isso, Castro passa a figurar como alvo das duas principais investigações em curso no país.
A da Refit envolve mais de R$ 30 bilhões em sonegação fiscal, enquanto o rombo do Banco Master já ultrapassa R$ 50 bilhões — e, segundo Teixeira, ainda não há clareza sobre a dimensão total das perdas, tamanha a extensão das fraudes e da teia de relações envolvendo a instituição.
A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos envolvidos.

