O porta-voz do Parlamento do Irã, Ebrahim Rezaei, declarou nesta segunda-feira (25) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está “befando”, chamando-o de “fracassado”.
“Não acreditem no blefe do presidente fracassado, o tempo está contra os americanos”, escreveu Rezaei em uma publicação na rede social X.”Se querem um acordo, que negociem; se querem gasolina a 6 dólares, que fiquem parados e blefem até a grama crescer sob seus pés”, continuou o parlamentar, ironizando a alta dos preços da gasolina nos EUA.
A declaração desta segunda-feira ocorre após novas discussões sobre um possível acordo que acabe com a guerra durante o fim de semana.
Trump disse no sábado (23) que se reuniria com seus principais assessores para analisar a proposta mais recente enviada por Teerã a Washington e que poderia decidir até o domingo (24) a retomada de ações militares contra o país.
O presidente também afirmou que o desfecho poderia levar a um acordo “bom” ou resultar na decisão dos EUA de “explodi-los até o inferno”.
Avanço nas negociações
Autoridades dos Estados Unidos e do Irã indicaram que podem estar mais próximas de chegar a um acordo preliminar para encerrar a guerra, após mediadores do Catar e do Paquistão participarem de conversas em Teerã.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os esforços diplomáticos continuam em andamento nos bastidores e que os EUA seguem focados em garantir que o Irã não tenha uma arma nuclear.
“Mesmo enquanto falo com vocês agora, há trabalho sendo feito”, disse Rubio no sábado (23) durante visita à Índia. “Há uma chance de que, seja mais tarde hoje, amanhã ou em alguns dias, tenhamos algo a anunciar.”
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (25) que um certo grau de entendimento foi alcançado com os Estados Unidos em diversas questões, mas um acordo não é iminente.
“Não há nenhuma garantia de que os Estados Unidos cumprirão seus compromissos”, declarou Baghaei em uma coletiva de imprensa em Teerã, capital do país.
Segundo ele, o programa nuclear iraniano não faz parte das discussões nesta fase e reiterou a exigência iraniana de que a guerra termine em todas as frentes, incluindo o Líbano.
O Irã busca adiar as negociações sobre os detalhes de seu programa nuclear até que seja declarado o fim formal da guerra.
Baghaei afirmou que Teerã tem testemunhado mudanças constantes nas posições do governo Trump.
“Em poucas horas, você se depara com posições completamente diferentes e, em muitos casos, contraditórias”, disse ele, acrescentando que isso “cria problemas para qualquer processo de negociação”.
Pontos de divergência
Os dois lados permanecem em desacordo sobre diversas questões complexas, como as ambições nucleares do Irã, a guerra de Israel no Líbano contra o grupo Hezbollah, apoiada pelo Irã, e as exigências de Teerã para o levantamento das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas em bancos estrangeiros.
Um alto funcionário do governo Trump delineou o que considerou os contornos mais recentes das questões em negociação.
Falando sob condição de anonimato, o funcionário disse que o Irã concordou “em princípio” em abrir o Estreito de Ormuz, em troca do levantamento do bloqueio naval dos Estados Unidos, e em se desfazer do urânio altamente enriquecido de Teerã.
Os EUA entenderam que o líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, endossou o esboço geral do acordo, acrescentou ele.
O funcionário rebateu as sugestões de que o Irã não teria aceitado se desfazer de seu estoque de urânio enriquecido. “A questão é como”, disse o funcionário.
Um segundo alto funcionário do governo disse no domingo (24) que a estrutura proposta daria aos negociadores 60 dias para chegar a um acordo final.
Fontes iranianas disseram à Reuters que, em etapas futuras, “fórmulas viáveis” poderiam ser encontradas para resolver a disputa sobre seu estoque de urânio altamente enriquecido, incluindo a diluição do material sob a supervisão da agência nuclear da ONU.
*Com informações da CNN

