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Faturamento do segmento de FLV deve atingir US$ 33,6 bilhões em 2029

Radar Olhar Aguçado(há cerca de 3 horas)
Faturamento do segmento de FLV deve atingir US$ 33,6 bilhões em 2029

O mercado brasileiro de FLV ( frutas, legumes e verduras) deve crescer 5,45% ao ano nos próximos três anos, devendo alcançar US$ 33,6 bilhões em 2029, segundo dados compilados pela Abras (Associação Brasileira de Supermercadistas) a partir de projeções próprias combinadas com dados da Nielsen e da Mordor Intelligence.

O aumento será sustentado por diversos fatores, entre os quais se destacam a pulverização do uso das canetas emagrecedores, que vem contribuindo para o aumento da procura por alimentos frescos, a parceira estratégica entre varejo e fornecedores e o investimento de alguns produtores que criaram suas próprias marcas de frutas, flores, legumes, verduras e ovos (FFLVO).

Durante fórum promovido pela IFPA (International Fresh Produce Association) na a APAS Show, evento da cadeia de super mercados, executivos do varejo, produtores rurais e especialistas discutiram temas importantes para o crescimento do setor, como o uso de tecnologia, inteligência de dados e comunicação estratégica para transformar a categoria em uma das principais alavancas de crescimento do varejo alimentar.

Combate às perdas

Segundo dados apresentados no evento, supermercados com maior participação de produtos frescos podem alcançar até 15% mais lucro. Apesar do potencial, o setor ainda enfrenta desafios ligados à logística, previsibilidade de demanda e perdas operacionais.

“Estamos diante de uma grande oportunidade de reposicionar o FFLV como uma categoria verdadeiramente estratégica dentro do varejo”, afirmou Valeska de Oliveira Ciré, country manager da IFPA no Brasil durante o evento.

O uso de inteligência artificial e análise de dados para reduzir desperdícios são estratégias que podem melhorar a margem dos supermercados. Dados da empresa Paripassu mostram que as perdas no segmento de FLV no Brasil chegam a 4,73%.

Entre os itens que geram mais perdas no varejo destacam-se o tomate, cujas quebras da cadeia somam 9,35%; os ovos, com quebras de 3,77%; a maçã, com 6,43%; a batata, com 6,99%; a banana, com 3,8%; o mamão, com 8,29%; o morango com 13,1%; o pimentão, com 21,5%; a uva, com 4% e a melancia, com 12,5% de perdas na cadeia.

A redução das perdas passa pela gestão mais eficiente de estoque, reformulação da exposição e da reposição.

“O FLV é uma categoria extremamente complexa porque trabalha com produtos vivos e perecíveis”, afirma Christiano Sanguinetti, diretor de perecíveis da Cencosud Brasil. Ele explica que decisões rápidas baseadas em informação são fundamentais para reduzir perdas e aumentar eficiência operacional.

Outra possibilidade é reduzir a oferta. “Muitos mercados preferem não ofertar, ou ofertar menos, do que ofertar em excesso e contabilizar perdas”, avalia Marco Perlman, diretor da Aravita.

Valor dos alimentos frescos

Representantes do varejo e da indústria defenderam investimentos em branding, na saudabilidade e na experiência de compra para fortalecer a percepção de valor dos alimentos frescos.

No segmento de ovos, Guilherme Armanhe, diretor da empresa Label Rouge, destacou que consumidores estão mais atentos à procedência, bem-estar animal e valor nutricional dos produtos. Já no setor de flores, Simone van Oene afirmou que o varejo precisa transformar o segmento em uma categoria permanente de bem-estar e experiência emocional.

O Fórum também reforçou a importância da integração entre fornecedores e supermercados para garantir qualidade, previsibilidade e menor desperdício ao longo da cadeia.

Segundo Rafaela Fava, investimentos em refrigeração e inovação permitiram reduzir perdas de banana para apenas 2% em sua operação. Já Marcel Hiroi afirmou que o consumidor busca cada vez mais informação e rastreabilidade no ponto de venda.

Outro tema que chamou atenção no encontro foi o impacto das canetas emagrecedoras nos hábitos alimentares. Participantes avaliaram que a busca por dietas mais saudáveis pode impulsionar o consumo de frutas, saladas e proteínas como ovos, abrindo novas oportunidades para o setor de alimentos frescos.

Representantes da cadeia defenderam maior integração entre produtores, logística, varejo e indústria como caminho para ampliar competitividade e consolidar o FFLVO como categoria estratégica no varejo.

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