Após a liquidação extrajudicial do conglomerado Master, os credores ressarcidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos) direcionaram seus recursos para instituições financeiras de maior porte e de maior relevância sistêmica. A informação consta no Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pelo BC (Banco Central) nesta segunda-feira (25).
“A crise pontual com o conglomerado Master não gerou impacto relevante nas taxas praticadas em instrumentos garantidos pelo FGC. A manutenção do amplo acesso das instituições financeiras ao mercado de captações reforça a confiança dos depositantes na higidez do Sistema Financeiro Nacional”, diz o documento.
O FCG pagou R$ 37,7 bilhões aos credores do conglomerado Master entre 19 de janeiro e 27 de fevereiro de 2026. Desse total, R$20,77 bilhões (55,1%) foram direcionados a títulos emitidos por instituições financeiras.
Outros R$1,47 bilhão (3,9%) foi alocado em outros títulos privados e R$15,46 bilhões (41,0%) tiveram outras destinações.
Segundo o BC, as instituições financeiras classificadas como S1 (bancos com tamanho igual ou superior a 10% do PIB ou grande atividade internacional) absorveram 40,9% dos pagamentos do FGC aos credores do Master.
Já as instituições financeiras classificadas como S2 (de grande porte que representam entre 1% e 10% do PIB) captaram 24,2% dos recursos devolvidos.
O Banco Master era uma instituição S3 e detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional. Apesar de ser um banco de pequeno porte, a liquidação do Master vai resultar em uma saída de cerca de R$ 40,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) em ressarcimento para credores.
Sistema sólido
De acordo com o BC, a liquidação extrajudicial de instituições integrantes do conglomerado Master não gerou efeitos sistêmicos no Sistema Financeiro Nacional. No último ano, 13 instituições foram liquidadas.
“O BC considera que não há risco relevante para a estabilidade financeira. O SFN permanece com capitalização e liquidez confortáveis, e provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. Além disso, os testes de estresse de capital e de liquidez demonstram a robustez do sistema bancário”, diz.

